
O que essencialmente traduz a experiência desta vida?
Quantas buscas são necessárias para que possamos entender o sentido desta caminhada?
O que seriam em nossas vidas experiências que poderiam ser consideradas modificadoras?
Sei que o percurso por vezes é árido, e muitas vezes nos vemos perdidos no meio do caminho, buscando explicações para várias situações deste cotidiano frenético e avassalador que não permite que possamos parar e buscar uma reconexão com o sentido desta vida.
Hoje, após uma caminhada muitas vezes tumultuada e por outras mergulhada em questionamentos infinitos por me deparar com o que considero as injustiças que permeiam nosso mundo e a dor que muitas vezes vi estampada em faces que eu sequer conhecia, entendi que o desabrochar do entendimento passa, necessariamente, por um mergulho interno dentro de você mesma.
Não podemos entender a grandiosidade desta experiência chamada de vida preciosa, se não pudermos nos reconectar com aquilo que dentro de nós é verdadeiramente a chama primeira que nos trouxe até o ponto que chegamos.
A experiência de viver é desafiadora se nos propomos a buscar esta reconexão, ela exige esforços e mudanças para uma visão mais ampla de tudo o que nos cerca, buscando verdadeiramente enxergar que tudo o que conhecemos e todas as pessoas estão imersas nesta grande teia de vida, pois, é só a partir de desenvolver esta visão, que teremos um olhar mais compassivo sobre todas as coisas e conseguiremos enxergar o outro como uma verdadeira extensão de nós mesmos, de nossas expectativas, de nossas angústias, de nossos medos, de nossa evolução.
Renascer dentro da própria experiência de vida é buscar-se, é mergulhar nos quartos escuros de nosso ser que não queremos abrir, é desafiar-se a dia após dia buscar esta linha tênue que nos liga a tudo e a todos, é desenvolver este amor compassivo.
É esta conexão maior que hoje me move e que tem norteado os passos de minha caminhada, pois acredito que seja possível esta evolução, esta consciência sobre o real sentido de nossa existência e sempre a esperança de que este amanhã chegará para a humanidade quando verdadeiramente puder redescobrir-se e de tal forma, entendendo o outro e suas dores como esta extensão de si próprio.
Solange Biolcatti – 03/04/2024.