Fugaz

Neste sopro entre uma ou outra experiência transitória nos encontramos.

E assim, nus de sentimentos e sensações planamos como que absortos no vazio.

Divagamos por entre a expectativa do que poderia ter sido e pela realidade cruel daquilo que de fato é o nosso dia a dia.

Assim, no mergulho das sensações entre o espanto e o desespero, buscamos como náufragos o vislumbre de um porto seguro.

Assim, buscar o lenitivo, algo que não nos obrigue a refletir para buscar fugir da rotina massacrante parece ser um caminho glorioso.

Ávidos pela fuga da rotina, encontramos aquilo que seria a representação da felicidade em festas sem alegria, em vídeos sem sentido, em piadas sem graça, em sorrisos sem vontade, em fotos bem montadas para serem ´postadas, em declarações sem amor, uma busca frenética pelo não pensar, pelo não encontrar-se, pelo que nos parece mais fácil e fugaz.

Assim, pode fluir o tempo, transcorrer os rápidos anos da juventude, da própria vida que rapidamente se esvai.

Muitos dirão que talvez seja este mesmo o significado de existir: um acaso do destino sem sentido certo ou glorioso.

Porém, se por alguns minutos pudéssemos parar, refletir, interiorizar, também descobriríamos que há algo muito maior em nós do que a simples fuga daquilo que nos parece vazio e sem sentido.

Sentiríamos uma sensação nova deste auto encontro, uma sensação de que tudo o que buscávamos fora estava lá o tempo todo esperando por nós.

O despertar é mágico e simples, basta abrir os olhos da sua mente.

A grande festa fantástica da vida que tanto buscamos esteve o tempo todo ao nosso dispor, chama-se : auto conhecimento, este com certeza é o grande sentido desta experiência preciosa chamada vida.

Solange Biolcatti 29/12/19

UM POUCO DE MIM

Quanto de mim espera e quanto já desistiu,

Quanto de mim esqueceu de buscar e quanto ainda anseia pela volta do espanto,

Quanto de mim olha as estrelas e quanto vê apenas a escuridão de uma noite sem fim,

Quanto de mim se abre ao novo e a descoberta e quanto permanece amedrontada embaixo de camadas de outros ” eus” disfarçando o medo,

Quanto de mim sente a brisa, pulsa pelo belo, cria universos em segundos, espia atenta e com espanto uma nova descoberta desta vida bela e preciosa e quanto de forma automatizada e estática repete os dias, os hábitos, o desconforto, o irremediável.

Sou a manhã de sol e explosão e sou também o dia nublado e enfadonho.

Me descubro, pouco a pouco, despindo as camadas da existência que as nuvens do medo e do cotidiano foram formando sutilmente.

Ao mesmo tempo em que me espanto com várias descobertas, me encanto com este ato mágico de me permitir estar atenta e com a sensibilidade que a vida me proporcionou ao longo da jornada.

Sou grata por estar aqui, por ter tido esta jornada com seus momentos de sol e de dias nublados, mas, que me tornaram a pessoa que sou e a pessoa que busca a sua melhor versão.

Ser a melhor versão, talvez seja, ser um ser a caminho do encontro consigo própria e despida de todas as capas da existência neste encontro com a simplicidade da vida., assim como deve ser.

Solange Biolcatti – 30/10/19