MERGULHO

Eis me aqui,

Frente a este desconhecido que por tanto tempo adiei,

Talvez o medo do assombro, ou, a ideia de que finalmente poderei encontrar a paz tão almejada que a simples sensação da possibilidade me causa o frio no estômago tão conhecido.

Porém, sinto pela primeira vez as cores que me cercam, a possibilidade do mergulho inaugura uma manhã desconhecida, mas tão ansiosamente aguardada, que tudo é uma (re) descoberta maravilhosa.

A caminhada foi longa, porém, sinto que não foi em vão. Percorri uma longa estrada dentro da perspectiva de minha vida, mas, não desisti, insisti, resisti, e aqui cheguei.

Tenho muita gratidão por tudo o que vivi, por tudo o que aprendi, que evolui, que busquei reconectar.

O mergulho está a minha frente e sei que não será no vazio, mas, no reencontro com o que tenho de mais essencial, com aquilo que sempre me definiu, com aquilo que me trará a tão sonhada manhã de paz, de luz, de alegria e contentamento nos pequenos/grandes milagres da experiência vida.

Meu coração está tranquilo e meu corpo anseia por este reencontro com aquela menininha que um dia fui e que ficou me aguardando para estender sua mão e me levar pela manhã florida que se anuncia. Ela sorri para mim e eu, meio tímida, após esta longa jornada, sorrio de volta, então nossas mãos magicamente se tocam e sinto que meu lugar no mundo está logo ali, não há o que temer, olho o céu azul, o mesmo azul que tantas vezes olhei antes, mas, ele brilha de uma forma diferente, o sol toca meus cabelos e uma brisa mansa vem me dizer que tudo tinha que ser como foi e que cheguei aqui porque tudo tem um tempo certo para acontecer.

Sorrio mais uma vez e aperto a mão da menininha que deixei um dia, agora estamos juntas de verdade e para sempre, então eu mergulho.

Solange Biolcatti- 26/11/2024

Subitamente

E subitamente olhamos para nosso interior.

Com assombro nós nos descobrimos.

Foi com certeza um exercício árduo.

Em tempos de outrora, imaginamos que a terra árida habitava a paisagem devastada pelo cotidiano e pelo moedor de carne humana.

Em tempos de outrora, uma sensação do vazio que vem de algo que não conseguimos nominar.

Em tempo de outrora, o coração imaginava que não mais iria pulsar de alegria e que os olhos absortos ficariam perdidos na multidão.

Em tempos de outrora, ainda com os olhos marejados, não encontrávamos um sentido na existência.

No entanto, a vontade foi maior que a fuga do cotidiano.

A sanha de olhar mais profundamente, de buscar a resposta para os múltiplos pontos de interrogação existencial nos trouxeram até este ponto da jornada.

E deste olhar, as cortinas da existência foram se abrindo, e a luz que surgiu cegou nossas retinas já cansadas. Esta explosão de cor e de energia que surgiram, renovaram nossas forças, nossa disposição, nossa força interior, nossa forma de ver e conviver com o mundo a nossa volta.

Uma nova manhã cálida e sútil surgiu trazendo a primavera e todas as cores da vida nova.

E assim descobrimos que sempre há um tempo:

Tempo de renovar-se

Tempo de perdoar-se

Tempo de amar-se

Tempo de equilibrar-se

Tempo de sorrir para si

Tempo de se auto amar

Tempo de se encantar.

Tempo de entender, que o tempo sempre será o melhor remédio, que trará o entendimento e a luz que sempre esteve em nós.

Solange Biolcatti – 21/09/20.