TEMPO

Imagino o tempo como o grande guardião de nossa história.

Vivemos etapas e circunstâncias.

Acontecimentos que desenham a passagem deste tempo que a tudo assiste.

Por vezes, não nos damos conta de sua passagem, as infindáveis tarefas do cotidiano e porque não dizer também as distrações as quais vamos nos envolvendo consomem este mágico tempo e quando percebemos já se passaram anos, décadas.

Nossa distorção com relação a ele, nos impede de vivenciar a mágica do aqui agora.

Dragados por aquilo que julgamos imprescindível, deixamos a magia do hoje se esgotar em mais um dia que imaginamos ter vivido plenamente entre reuniões, tarefas, estudos, séries, etc.

Ao final, sentimo-nos vazios. É como se tivéssemos feito tanto e nada ao mesmo tempo porque o sentido do fazer e das tarefas perderam foram consumidos no mar da não presença.

Acabamos por ser meros espectadores de nosso tempo e de sua passagem e não nos sentimos protagonistas.

Mas ao final o que faria sentido neste mar de compromissos?

Onde encaixar o tempo de estarmos conosco mesmos, vivenciando os pequenos milagres da existência?

Penso, após tantos anos decorridos e algumas descobertas, que é possível alinharmos nossa rotina com a plena presença em nosso cotidiano.

Precisamos exercitar a consciência sobre aquilo que fazemos. Não é viável estarmos fazendo uma tarefa e pensando em outra, estar em um lugar e imaginando outro, ter a presença física de alguém e estar imaginado outra situação.

Os pequenos milagres estão ao alcance de nossa presença e isto é um exercício constante em nossas vidas. Aprender a parar por alguns segundos, respirar, tomar consciência do seu ser, do seu momento, daquilo que está experienciando é viver em plenitude a dádiva deste tempo que nos foi concedido.

Que possamos dia após dia exercitarmos esta capacidade infinita de tomar consciência e viver a grande experiência desta vida preciosa.

Solange Biolcatti – 31/01/2023

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