Eis me aqui,
Frente a este desconhecido que por tanto tempo adiei,
Talvez o medo do assombro, ou, a ideia de que finalmente poderei encontrar a paz tão almejada que a simples sensação da possibilidade me causa o frio no estômago tão conhecido.
Porém, sinto pela primeira vez as cores que me cercam, a possibilidade do mergulho inaugura uma manhã desconhecida, mas tão ansiosamente aguardada, que tudo é uma (re) descoberta maravilhosa.
A caminhada foi longa, porém, sinto que não foi em vão. Percorri uma longa estrada dentro da perspectiva de minha vida, mas, não desisti, insisti, resisti, e aqui cheguei.
Tenho muita gratidão por tudo o que vivi, por tudo o que aprendi, que evolui, que busquei reconectar.
O mergulho está a minha frente e sei que não será no vazio, mas, no reencontro com o que tenho de mais essencial, com aquilo que sempre me definiu, com aquilo que me trará a tão sonhada manhã de paz, de luz, de alegria e contentamento nos pequenos/grandes milagres da experiência vida.
Meu coração está tranquilo e meu corpo anseia por este reencontro com aquela menininha que um dia fui e que ficou me aguardando para estender sua mão e me levar pela manhã florida que se anuncia. Ela sorri para mim e eu, meio tímida, após esta longa jornada, sorrio de volta, então nossas mãos magicamente se tocam e sinto que meu lugar no mundo está logo ali, não há o que temer, olho o céu azul, o mesmo azul que tantas vezes olhei antes, mas, ele brilha de uma forma diferente, o sol toca meus cabelos e uma brisa mansa vem me dizer que tudo tinha que ser como foi e que cheguei aqui porque tudo tem um tempo certo para acontecer.
Sorrio mais uma vez e aperto a mão da menininha que deixei um dia, agora estamos juntas de verdade e para sempre, então eu mergulho.
Solange Biolcatti- 26/11/2024