Subitamente

E subitamente olhamos para nosso interior.

Com assombro nós nos descobrimos.

Foi com certeza um exercício árduo.

Em tempos de outrora, imaginamos que a terra árida habitava a paisagem devastada pelo cotidiano e pelo moedor de carne humana.

Em tempos de outrora, uma sensação do vazio que vem de algo que não conseguimos nominar.

Em tempo de outrora, o coração imaginava que não mais iria pulsar de alegria e que os olhos absortos ficariam perdidos na multidão.

Em tempos de outrora, ainda com os olhos marejados, não encontrávamos um sentido na existência.

No entanto, a vontade foi maior que a fuga do cotidiano.

A sanha de olhar mais profundamente, de buscar a resposta para os múltiplos pontos de interrogação existencial nos trouxeram até este ponto da jornada.

E deste olhar, as cortinas da existência foram se abrindo, e a luz que surgiu cegou nossas retinas já cansadas. Esta explosão de cor e de energia que surgiram, renovaram nossas forças, nossa disposição, nossa força interior, nossa forma de ver e conviver com o mundo a nossa volta.

Uma nova manhã cálida e sútil surgiu trazendo a primavera e todas as cores da vida nova.

E assim descobrimos que sempre há um tempo:

Tempo de renovar-se

Tempo de perdoar-se

Tempo de amar-se

Tempo de equilibrar-se

Tempo de sorrir para si

Tempo de se auto amar

Tempo de se encantar.

Tempo de entender, que o tempo sempre será o melhor remédio, que trará o entendimento e a luz que sempre esteve em nós.

Solange Biolcatti – 21/09/20.

Qual o valor de uma vida humana?

Qual é o valor de uma vida humana ?

 

Ela teria mais valor se tivesse mais seguidores?

 

Ela teria mais valor se fosse famosa?

 

Ela teria mais valor se tivesse mais saldo em sua conta bancária?

 

Ela teria mais valor se morasse em um local com alto valor por metro quadrado ?

 

Ela teria mais valor se tivesse conhecido mais países ao longo do mundo ?

 

Ela teria mais valor se tivesse uma excelente formação ?

 

Ela teria mais valor se seus amigos fossem pessoas importantes?

 

Ela teria mais valor se o seu seguro saúde desse direito a hospitais de ponta?

 

Ela teria mais valor se sua beleza fosse considerada clássica e dentro dos padrões ?

 

Como classificar o valor de uma vida humana ?

 

O que sei é que cada sorriso, cada expressão, cada átimo de tempo na história individual de cada um e daqueles que formam seu círculo familiar é fundamental .

 

Não importa a classe social, a idade, o grau de escolaridade, os idiomas que domina, se perguntássemos a cada um que foi influenciado por aquela vida, teríamos a mesma resposta :

 

A vida humana é única, a história de uma pessoa conta a trajetória de uma cadeia de centenas de milhares de vidas que foram fundamentais para esta pessoa ter existido .

 

Somos esta vida em movimento .

 

Somos a vida pulsando no planeta , somos o novo e também somos a história .

 

Somos a luz maior que carregamos , e cada sorriso, cada coração que pulsa e planeja

a sua história é fundamental.

 

Que a humanidade desperte e perceba que cada um de nós está conectado e que cada um de nós ao final das contas depende de outros porque ninguém está separado de ninguém .

Esperança e Empatia é o que desejo para a humanidade a qual pertenço.

 

Solange Biolcatti – 15/06/20.

UM POUCO DE MIM

Quanto de mim espera e quanto já desistiu,

Quanto de mim esqueceu de buscar e quanto ainda anseia pela volta do espanto,

Quanto de mim olha as estrelas e quanto vê apenas a escuridão de uma noite sem fim,

Quanto de mim se abre ao novo e a descoberta e quanto permanece amedrontada embaixo de camadas de outros ” eus” disfarçando o medo,

Quanto de mim sente a brisa, pulsa pelo belo, cria universos em segundos, espia atenta e com espanto uma nova descoberta desta vida bela e preciosa e quanto de forma automatizada e estática repete os dias, os hábitos, o desconforto, o irremediável.

Sou a manhã de sol e explosão e sou também o dia nublado e enfadonho.

Me descubro, pouco a pouco, despindo as camadas da existência que as nuvens do medo e do cotidiano foram formando sutilmente.

Ao mesmo tempo em que me espanto com várias descobertas, me encanto com este ato mágico de me permitir estar atenta e com a sensibilidade que a vida me proporcionou ao longo da jornada.

Sou grata por estar aqui, por ter tido esta jornada com seus momentos de sol e de dias nublados, mas, que me tornaram a pessoa que sou e a pessoa que busca a sua melhor versão.

Ser a melhor versão, talvez seja, ser um ser a caminho do encontro consigo própria e despida de todas as capas da existência neste encontro com a simplicidade da vida., assim como deve ser.

Solange Biolcatti – 30/10/19

vida

Vida,

Palavra com tantos sentidos intrínsecos e extrínsecos.

Somos o seu fruto, o fruto daqueles que sobreviveram.

Somos dia após dia movidos por ela.

Somos inspirados pelas mais extensas manifestações deste fenômeno.

Queremos nos perpetuar e neste sentido, inconscientemente queremos deixar nossos descendentes, uma raiz daquilo que também representa nossa vida.

Geração após geração fomos distribuindo a nossa história em outras vidas que se seguiram.

O que tudo isso representa?

O que de fato faz sentido a nós, aos nossos anseios, aos nossos devaneios nesta existência tão profunda em significados e tão breve quando comparada ao tempo universal?

Por que damos tanto valor a coisas que são passageiras e perdemos o tão precioso tempo quando poderíamos priorizar o que de fato faz sentido e nos representa?

Talvez nunca iremos saber, talvez num futuro distante e perdido um possível descendente possa encontrar a resposta. Fato é que independentemente dos desafios, das desilusões, dos desalentos, a vida é a chama que se perpetua e a qual estamos atavicamente atrelados. Ela é o princípio e o fim e movidos por esta chama vamos vivendo.

Vida, rio eterno que permanece e que nos mostra o quão perfeito é tudo isto que nos cerca.

Solange Biolcatti – 02/06/19.

HUMANIDADE DESUMANA

Somos humanos,

E isto por si só carrega as características únicas de nossa espécie como o sentido de união, fraternidade, proteção, sensibilidade.

Centenas de milhares de anos e hoje, percebemos o auge de nossa civilização, doenças foram debeladas, cidades que se transformaram em megalópoles, o mundo conectado e muito bem informado.

Este excesso de modernidade, de informação, e ao mesmo tempo de competição entre os seres, talvez nos tenha transformado pouco a pouco e quando percebemos vimos que um grande iceberg já havia se instalado.

Aparentemente, tudo se mantinha de forma muito semelhante, porém, nossa sociedade foi  acometida de uma silenciosa síndrome da perda de sua sensibilidade.

Talvez, este excesso de informação e sensacionalismo foi deixando em nós um gosto amargo de censura e sem perceber fomos pouco a pouco ignorando que o que nos faz humanos, é justamente o ato de importar-se com outro, pois em essência, o outro é parte de nós mesmos, raça humana.

Neste sentido, é possível assistir a fatos que em outra realidade trariam o espanto as almas mais cruéis.

A pergunta é, porque esta síndrome tomou conta de nossos tempos modernos?

Porque situações de crueldade, penúria, mortes, abandonos, já não nos espantam ou comovem se em nossa essência temos todas as qualidades de nossa espécie para nos colocarmos no lugar do outro e exercer a compaixão?

Temos que buscar um antídoto para este veneno chamado insensibilidade, antes que ele nos transforme em centenas de milhares de seres altamente ativos, politizados, bem informados, conectados, mas áridos em nossas essências, uma aridez para a qual possa não haver mais remédio.

Talvez, o antídoto, seja resgatar através do reencontro com a sensibilidade um recomeço no sentido de olhar o outro com os olhos do coração.

ACONCHEGO

No abraço,

O lívido aconchego dos corpos tesos, agora emaranhados de prazer.

No beijo,

O sabor dos frutos proibidos, sorvidos em cada gota de prazer.

E no tempo,

Marco de uma nova aurora, representa este encontro de almas e a sutileza de fundir o universo inteiro em um único momento do aqui e agora.

Solange Biolcatti

Sede de pensamento

Posto que é chama, esta dor que inflama,

Este átomo de tempo em que tudo transforma,

Esta sede do pensamento,

Do sentimento,

Daquele primeiro momento.

Somos o instante que de relance se encontra por entre esquinas e que é capaz de novamente derreter o gelo e descobrir singela a primeira flor da primavera.

Solange Biolcatti – 16/05/2015 – 12:40 hs