A Lua

Linda, estonteante,  ela despontou no céu onde também vi estrelas !

Tanto tempo se passou para que eu pudesse detidamente perceber aquele mesmo brilho que encantou toda a minha adolescência.

A  Lua brilhava em silêncio, assim como , silenciosa estava toda a cidade.

Imersos em nossa quarentena, tenho agora a grande chance de me reconectar com aquela parte de mim que durante longos anos se encantou com a explosão de vida.

Hoje, vi e senti aquela mesma Lua de outrora e uma sensação de felicidade tocou meu coração.

Fui invadida por aquele mesmo encantamento que me fazia observar o céu por horas.

Percebi que esta mesma explosão de vida e natureza sempre estiveram ali, ao meu lado, aguardando o momento oportuno de  minha atenção .

Me senti agradecida por estar aqui, por perceber que tudo está conectado , que pertencemos a este universo e que somos um só.

Possa esta energia de amor universal se multiplicar e a compaixão se espalhar e assim a humanidade despertar para o verdadeiro sentido da vida.

Solange Biolcatti – 05/04/20.

 

 

 

 

 

Humanos

E assim, nos descobrimos fortes e insignificantes

E assim, no silêncio de nosso ser, subitamente o encontro com as nossas pequenas descobertas e a valorização daquilo que tantas vezes nos passou desapercebido

E subitamente o isolamento trouxe o silêncio, carregou consigo também o medo, mas, também aflorou a solidariedade.

Talvez seja esta a grande oportunidade de expandir a energia da compaixão posto que o mundo fica melhor quando nos enxergamos como iguais .

O planeta subitamente experimentou algo inusitado e sem fronteiras.

Fomos colocados a prova para que a tão falada compaixão pudesse despertar a humanidade para uma nova abordagem , para uma nova forma de nos relacionarmos com o nosso semelhante e com o planeta como um todo.

Espero que possamos cada um de nós olhar o nosso semelhante e tudo o que nos cerca com mais ternura e atravessarmos este momento como uma oportunidade de evolução.

Solange Biolcatti – 22/03/20.

 

EXISTÊNCIA

A tênue linha de nossa existência,

Tantos sonhos, metas, um mar sem fim de compromissos, angústias e ansiedades.

Tantos planos do futuro que insistentemente programamos que acabamos por esquecer que o momento do agora é o nosso maior presente.

Acabamos por esquecer que a vida é feita das pequenas coisas, das pequenas conquistas, de apreciar um nascer ou pôr do sol.

Que a vida se torna plena e cheia de sentido, quando aprendemos a sorrir mais do que esbravejar.

Que acreditamos estar acima de qualquer coisa, mas na verdade, estamos inseridos nesta teia da vida e estamos interligados e interconectados a tudo e a todos.

Que quando ferimos a alguma coisa ou a alguém é em última análise a nós mesmos que ferimos.

Que devemos aprender a desenvolver um olhar amoroso para com as pessoas e coisas ao nosso redor.

Que a compaixão é um exercício de ampliar o olhar e aprender a ver com o coração.

E que nossa vida só tem sentido e valor se formos úteis num sentido maior, apesar de nossas metas e sonhos individuais.

Talvez aí resida o grande desafio de viver.

 

16/06/17