DONS E COTIDIANO

Não somos máquinas, somos humanos!

Talvez isto seja a grande benesse e também o maior desafio. Viver uma existência onde o entorno nos influencia, onde a dor e a tristeza nos machuque, onde o outro não é um ente despersonalizado com o qual não precise me preocupar.

O grande desafio a meu ver? Entender que aquilo que nos é natural, o sentimento, não pode se transformar frente a grande vilã da modernidade chamada de cotidiano.

A grande demanda da modernidade, por tarefas, prazos, metas, etc, vai pouco a pouco  alienando de nós aqueles dons primários que são o que justamente nos distinguem dentro deste planeta.

Precisamos aprender a perceber e conviver com as demandas do mundo moderno, porém, sem perder aquilo que nos é mais caro.

Precisamos entender que justamente aquilo que nos motiva, que traz brilho ao olhar, que aquece o coração são as percepções que vão além deste cotidiano.

É ver o sorriso de uma criança, é sentir o aroma das flores que despontam na primavera e fazem das manhãs uma festa de cores, é olhar um por do sol e entender o presente da natureza , é ver o brilho da Lua e das estrelas despontando no céu e sentir-se agradecido, é poder saborear um alimento e perceber quanto trabalho envolvido pode ter havido naquele prato de comida.

É saber que nesta experiência de ser humano, fomos agraciados com a inteligência e com a sensibilidade e como em uma balança, elas precisam estar equilibradas, pois, o mundo nos exige muito do primeiro dom , mas, sem o segundo dom definitivamente, a vida não teria o menor sentido.

 

 

29/09/17

HUMANOS

Subitamente nos percebemos.

Percebemos a imensidão e a perfeição de tudo o que nos cerca.

E nossos olhos se expandem para além do que a própria visão é capaz de captar.

E nossos corações compreendem que recebemos um presente, esta vida.

E que devemos aprender a respeitar e aceitar cada coisa, cada diferença e cada semelhança como uma extensão de nós próprios.

A raça humana, tão complexa e ao mesmo tempo tão visceral.

Em nós encontramos o melhor e o pior de nossa origem.

Encontramos a mão estendida pedindo ajuda,

o olhar perdido de medo, de solidão, de angústia,

a fome,

as violências,

os abandonos,

o vazio insuperável.

Mas a raça humana tem este poder infinito de se refazer, de reconstruir o que foi destruído, de olhar para dentro de si e encontrar a força necessária para seguir adiante sem esmorecer, de quase se curvar as tempestades, porém, de se refazer na manhã seguinte como o arco íris sútil e colorido que estampa o céu nos trazendo esperança.

Então,

para cada mão que pede ajuda há sempre uma mão que ampara,

Para cada ser humano mergulhado no medo e na desesperança,

há sempre alguém disposto a ser a luz no fim do túnel,

Para cada violência sofrida,

há sempre alguém disposto a trazer a tão sonhada paz.

Para cada vazio, há sempre uma força maior que nos impele a olhar para dentro de nós mesmos no encontro com este auto conhecimento.

De saber o que somos, de saber para que estamos aqui e de finalmente perceber, que tudo e todos,  dos povos mais distantes até o parente mais próximo, formamos esta raça humana, interligada, interconectada e pronta a ter a empatia necessária para exercitar a compaixão.

07/07/2017