TEMPOS LIQUIDOS

E derrepente um  assombro.

Subitamente percebemos que tudo a nossa volta se desfaz.

Tempos liquefeitos onde o eterno é apenas o espaço de um encontro.

Num mundo onde tudo é pressa e excesso de informação, onde haverá tempo para a contemplação, para uma conexão real e profunda?

Estes novos tempos nos expõe a um dilema com a nossa forma intrínseca de sentir o mundo a nossa volta.

Tudo o que imaginávamos ter algum sentido de permanência se esvai.

Somos impelidos a ter cada vez mais pressa, mais informação para nos sentirmos conectados e menos relações com a marca da pessoalidade.

Tudo parece que ficou mais simples, mais rápido no mundo da informação, mas, muito menos real, pois, tudo pode ser resolvido com uma mensagem de texto ou voz ou um like de redes sociais.

Nunca o mundo ficou tão pequeno, pois está ao alcance do click do mouse, e nunca a sensação de solidão ficou tão exposta em nossos cotidianos.

Tempos em que as relações tornaram-se liquidas e as pessoas mais seguras atrás de seus laptops, celulares e pc’s.

Tempos em que temos a fome dos tempos de outrora, mas, que o próprio tempo ou a sua ausência não nos permite viver de forma diferente.

Somos os filhos destes novos tempos liquidos, mas, nossa essência ainda grita por algo que ficou lá fora.

 

17/05/2017.

Solidão

Havia esquecido aquela velha sensação .Minha boca sentiu o amargo de outrora e então eu tive medo.

Medo, velho conhecido que por tantas vezes jogou-me no vazio. Vazio que novamente experimento ante a agonia de estar sozinha em meio à multidão.

Neste segundo da existência, tudo se resume a mergulhar fundo neste vácuo e sentir o frio percorrendo as entranhas.

Este segundo transforma a alma e turba qualquer expectativa .

Neste vazio me vejo oca e negligente busco no ocaso algo que sublime a escuridão .

Mergulho cada vez mais fundo até sentir que as forças não suportam e tocando o fundo da existência vejo que posso novamente submergir e insana buscar o sol de primavera.

01/02/2017

PRINCESA NA TORRE DE CRISTAL

Fato sólido?

Escombros do passado inundam de imagens perturbadas as colunas de cristal .

Arrefeço e inundam-me o medo e a solidão que crivam de aço o peito já marcado pelo compasso do tempo.

Simultaneamente, flutuo e percebo ao longe o cenário sombrio, mas, combato o temor e luto contra as ondas devastadoras que sem demora buscam quebrar as tímidas esperanças de outrora.

O frio desolador invade e o arrepio eriça os pelos e afasta os desejos.

Travo os dentes de medo e meio tonta cambaleio e me vejo ao solo.

Estou prestes a gritar quando percebo que o pesadelo se desfez, e novamente a criança feliz salta por entre os escombros e sorri, desprezando o medo, os anseios e os mais terríveis pesadelos.

E eis que novamente surge a princesa em sua torre de cristal.

Solange Biolcatti – 29/01/2017