PÁGINA EM BRANCO

Página em branco.

O que você escreveria neste seu novo livro da vida?

O que não faria ou faria milhares de vezes se sua vida repentinamente se tornasse uma página em branco?

Sentiria desespero?

Sentiria o vazio?

Ficaria feliz ante a todas as milhares de possibilidades?

Ficaria estimulado ou desestimulado?

Ouviria atentamente as vozes da vida pulsando a sua volta e se encantaria, ou,amaldiçoaria o fato do recomeçar?

A cada dia, temos a possibilidade de reescrever nossa história, de nos tornarmos mais humanos, de nos reencantarmos com o ato de viver.

A vida nos presenteia a cada dia com um novo despertar e este por si só, é repleto de possibilidades, e,  por estarmos inseridos na roda vida do cotidiano não enxergamos.

Sim, nós podemos recomeçar. Podemos colorir de esperança as páginas onde faltou cor e nos alegrar com nossas pequenas conquitas, e reaprender a sorrir pelo simples fato de que estamos diante de todas as possibilidades.

Podemos reaprender a amar sem pretensão nenhuma, de nos encantar com o colorido da vida, porque a vida tem milhares de cores, sons, sabores, cheiros.

Podemos estampar um sorriso no rosto, deixar os cabelos ao vento e despreocupadamente sermos felizes pelo simples fato de que a vida é nosso maior presente e só depende de nós colorir a página em branco.

19/02/2017

 

MEMÓRIAS

Felizes nós humanos que podemos abrir os arquivos da memória e relembrar a caminhada percorrida.

Somos seres feitos de razão e raciocínio, porém, entendo que o que nos move é a paixão.

Ela traz cor onde antes reinava a monocromia, traz ânimo onde antes reinava o desanino, traz luz onde só se enxergavam apenas as trevas.

Memórias podem ser doloridas ou saudosas, mas, tem o poder de nos tornar mais vivos e de nos ensinar com os erros cometidos.

A passagem dos anos, há tanto custo evitada nos dias de hoje, onde milhares de tratamentos estéticos e novas tecnologias nos querem fazer acreditar que seremos eternos Peter Pan´s, não é este monstro horrendo que nos quer ver decrépitos e inúteis, mas é tão somente, o acúmulo das experiências vividas, e que, se bem compreendidas, são capazes de nos brindar com a sabedoria.

Hoje, após anos vividos, a memória é capaz de me surpreender com um olhar mais sereno sobre as coisas que me cercam.

Hoje, boa parte da eterna luta que travei com o tempo e as coisas que imaginava que teria que fazer, dão lugar a uma caminhada onde me comprometo em viver apenas o dia de hoje, o que aliás é o único que realmente me compete viver.

Hoje descobri, que a vida se completa com estes pequenos presentes, como um sorriso descompromissado ou uma bela manhã de sol.

Hoje a vida faz sentido nas micro conquistas não nos sonhos delirantes.

Hoje, sou grata pelos anos que vivi e que me possibilitam utilizar a memória como um exercício de aprendizado e evolução.

Hoje vejo o tempo como um aliado e a vida esta escola de aprendizado contínuo onde me vejo passo a passo buscando a evolução.

19/02/2017.

Silêncio 2

No silêncio,

Eu berro o grito dos vencidos.

No silêncio,

Insisto o protesto destemido.

No silêncio,

Manifesto das entranhas à exaustão, as agruras destes tempos.

No silêncio,

Sinto o lamento ferrenho das múltiplas vozes que ecoam na memória.

Neste meu silêncio, expresso o que as palavras já não conseguem exprimir.

O silêncio pode ser capaz de trazer todas as palavras.

Aquelas que não foram ditas.

O silêncio é a casa do grito.

10/02/17.

 

SEMEAR E COLHER

A sensibilidade é um exercício de perceber no outro algo que que nos incomoda e que gostaríamos que percebessem em nós.

Dentro de nós, seres racionais e emocionais, habitam as várias portas que acessam caminhos de evolução, por outro lado, habitam também, os quartos escuros, aqueles que não queremos ver, que fingimos para nós mesmos que não existem, que nos trazem vergonha ou espanto.

Quando destilamos a outrem nossos venenos mentais, na realidade, estamos dando ênfase ao pior de nossa espécie, estamos plantando as sementes que pela causa e efeito hão de germinar e em algum ponto da trajetória e inevitavelmente faremos a colheita.

Se pelo desafio deste exercício diário que é viver, pudermos ir substituindo mágoas, ódio, ira, inveja, ressentimentos por um olhar mais amplo, e ,buscar no fundo de cada um de nós a centelha viva da compaixão, as sementes que serão plantadas e colhidas ao longo da caminhada não só afetarão positivamente nosso dia-a-dia, mas também perceberemos que o mundo a nossa volta poderá se transformar em um verdadeiro aprendizado e crescimento neste processo de evolução.

A vida só faz sentido e é capaz de aplacar o vazio da existência, se pouco a pouco começarmos a enxergar neste planeta um oásis de fraternidade e compaixão, e este oásis só vai acontecer de fato quando decidirmos que ele precisa começar dentro de cada um de nós.

04/02/2017.

A VOCE SAMPA, POUCAS PALAVRAS

cronicas, Chaminés empesteiam teu céu de fumaças fedorentas.

Esquinas enchem-se do lixo que as pessoas insistem em abandonar pela cidade.

Mendigos, disputam na metrópole uma fresta tranquila em meio ao caos da sinfonia de buzinas.

Seus moradores disperços, projetam-se em mil estranhas figuras, invadindo avenidas e ruas.

Poucos são aqueles que percebem sua beleza quase perdida, pois há sempre muita pressa de se chegar não se sabe onde.

Fugir, talvez?

Impossível. Algo de inexplicável, nos une a você, cidade insandecida, nos prende, ao teu passado glorioso, as estrelas que tentamos encontrar em meio ao caos e a pressa das pessoas.

O teu povo é mundo.

Você é pátria.

No coração de todos nós teu sangue se desfaz, denso e punjante.

Por mais que te desprezem ou tentem fazer de ti o lixo de nossas próprias obras, não poderão apagar a tua força nem de nós o sentimento de sermos os teus filhos paulistanos.

Solange Biolcatti – Pelo dia 25/01.