EXISTÊNCIA

A tênue linha de nossa existência,

Tantos sonhos, metas, um mar sem fim de compromissos, angústias e ansiedades.

Tantos planos do futuro que insistentemente programamos que acabamos por esquecer que o momento do agora é o nosso maior presente.

Acabamos por esquecer que a vida é feita das pequenas coisas, das pequenas conquistas, de apreciar um nascer ou pôr do sol.

Que a vida se torna plena e cheia de sentido, quando aprendemos a sorrir mais do que esbravejar.

Que acreditamos estar acima de qualquer coisa, mas na verdade, estamos inseridos nesta teia da vida e estamos interligados e interconectados a tudo e a todos.

Que quando ferimos a alguma coisa ou a alguém é em última análise a nós mesmos que ferimos.

Que devemos aprender a desenvolver um olhar amoroso para com as pessoas e coisas ao nosso redor.

Que a compaixão é um exercício de ampliar o olhar e aprender a ver com o coração.

E que nossa vida só tem sentido e valor se formos úteis num sentido maior, apesar de nossas metas e sonhos individuais.

Talvez aí resida o grande desafio de viver.

 

16/06/17

CANSAÇO

Cansei de compreender,

Cansei do tédio que muitas vezes parece ser o único remédio,

Cansei da rotina que desfaz pouco a pouco o assombro que esperamos encontrar um dia.

Cansei da melancolia que destroi a esperança que buscamos conservar,

Cansei dos dias mornos e previsíveis que repetimos numa ladainha sem fim,

Cansei até de imaginar como poderei ser eu, ou, poderia ter sido, esta sucessão sem fim de hipóteses que não levam a lugar algum.

Cansei desta busca frenética por algo que talvez esteja muito além do que minha razão me permite alcançar.

Cansei de sofrer pelo que virá, visto que não sei se chegará, e pelo que se foi, posto que não mais poderei modificar.

E neste hoje que me cabe viver, concluo, que quero apenas viver,

Sem expectativas,

Sem angústias,

Sem arrependimentos,

Sem o turbilhão de sentimentos,

Apenas por este minuto, viver o aqui,  esta fração de segundo, condensar o mundo todo apenas neste momento.

 

 

22/05/2017

 

TEMPOS LIQUIDOS

E derrepente um  assombro.

Subitamente percebemos que tudo a nossa volta se desfaz.

Tempos liquefeitos onde o eterno é apenas o espaço de um encontro.

Num mundo onde tudo é pressa e excesso de informação, onde haverá tempo para a contemplação, para uma conexão real e profunda?

Estes novos tempos nos expõe a um dilema com a nossa forma intrínseca de sentir o mundo a nossa volta.

Tudo o que imaginávamos ter algum sentido de permanência se esvai.

Somos impelidos a ter cada vez mais pressa, mais informação para nos sentirmos conectados e menos relações com a marca da pessoalidade.

Tudo parece que ficou mais simples, mais rápido no mundo da informação, mas, muito menos real, pois, tudo pode ser resolvido com uma mensagem de texto ou voz ou um like de redes sociais.

Nunca o mundo ficou tão pequeno, pois está ao alcance do click do mouse, e nunca a sensação de solidão ficou tão exposta em nossos cotidianos.

Tempos em que as relações tornaram-se liquidas e as pessoas mais seguras atrás de seus laptops, celulares e pc’s.

Tempos em que temos a fome dos tempos de outrora, mas, que o próprio tempo ou a sua ausência não nos permite viver de forma diferente.

Somos os filhos destes novos tempos liquidos, mas, nossa essência ainda grita por algo que ficou lá fora.

 

17/05/2017.

PARIS

Fui pouco a pouco sendo absorvida pela sintonia da cidade.

O jeito meio solitário dos franceses, seu modo de ficar perdido nos cafés em conversas intermináveis, ou, simplismente fumando seus cigarros sem pressa.

A forma de disporem as pequenas cadeiras, dispostas, lado a lado nos cafés, enfileiradas, dando aos clientes sempre a visão da passagem dos transeuntes nas ruas, neste jogo de ver e ser visto.

Fui me perdendo nos aromas das coisas frescas, das centenas de lojas repletas de baguetes e docinhos coloridos, o som melódico da língua que soa como música, e assim, foi crescendo em mim a vontade de explorar as ruas, as vielas, a história desta cidade que é puro encanto.

Neste cenário quase bucólico, uma saudade de coisas que não vivi, mas que pareciam fazer parte de mim.

Paris, milhares de vezes cultuada em músicas, versos, filmes.

Paris, a cidade que me fez perceber que pode existir uma forma mais casual de se encantar com a vida e de sorvê-la apreciando cada encanto desta experiência.

18/03/17.

China

imageAqui estamos no Oriente .

Suas ruas tumultuadas e barulhentas.

As centenas de pessoas que passam apressadas com as agendas apertadas de compromissos e seus objetivos a cumprir .

E eu, encantada por estar do outro lado do planeta.

Ao mesmo tempo penso como podemos estar tão próximos ?

Sim , estamos unidos.

Unidos nesta variedade de sentimentos , unidos em nossos afazeres, em nossas  dúvidas e questionamentos , em nossas aspirações.

Somos tão diferentes,mas, ao mesmo tempo , tão próximos e conectados.

Isto me faz refletir que este grande planeta azul chamado Terra é uma grande terra única,cercada por fronteiras imaginárias,  mas que abriga seres movidos pelos mesmos ideais.

Isto me faz acreditar que embora tenhamos tantas diferenças, também temos a mesma raiz iluminada que nos enche de otimismo e esperança neste amanhã de união e paz que um dia chegará.

Isto me faz acreditar que a vida é este grande presente para aprendermos a aceitar as diferenças e evoluirmos enquanto seres que precisam dos valores espirituais muito mais do que as posses materiais.

Hoje aqui na longínqua China me senti muito mais próxima de todos os seres deste mundo nesta imensa ilha única chamada Terra.

12/03/17

Tempo

Oca a humanidade projeta o olhar buscando algo.

Ocos os homens mantém-se supostamente engajados, banalizados em seus projetos de vida, em seus escritórios organizados, em suas reuniões pautadas por gráficos de desempenho, em suas rotinas de sufocante angústia.

Buscam, quem sabe, dentro  das terras ressequidas , um oásis onde matar a sede de vida.

Olham-se, quem sabe almejando um insight, um lampejo de vida ainda não consumida.

Mas, a espera é infinita, e a vida, consome-se neste mar de anos passados no eterno dilema de quem sabe um dia.

Assim marcham os milhões em suas rotinas, criando mundos ideais em pequenos hiatos de tempo, onde o sonho é possível, mas como tudo é efêmero, passa.

E assim passam-se os anos e subitamente olhamos para a terra prometida que um dia vislumbramos e vemos que ela já não brilha.

Vemos um cenário retorcido de coisas puídas e empoeiradas pela ação do implacável tempo.

Tempo, o senhor absoluto sobre todos , que desdenha dos pequenos sonhos humanos e vez por outra concede um vislumbre do infinito.

Pobre sonho humano, imaginamo-nos heróis e nos descobrimos pequenos e vãos.

Pobre do homem que acredita ser possível vencer as garras do tempo e encontrar-se pleno, pois a vida é apenas poeira no tempo.

 

 

28/02/17

 

Cenário de Paz

img_1713Mergulho nesta paz que subitamente atinge minha retina.

A luz invade calmamente e banha de encantos este cenário.

Sou a expectadora do espetáculo da vida que me renova e me mostra, quão simples pode ser a nossa existência.

Esta harmonia faz parte de nós, mas, invariavelmente  vamos nos afastando desta conexão vital e então nos perdemos.

Nos perdemos do sentido de harmonia presente em cada minúscula coisa do nosso entorno.

Nos perdemos do senso de pertencimento desta natureza da qual fazemos parte e da sua importância.

Nos perdemos da sensação de estar em casa , a cada vez que nos reconectamos com a explosão de vida ao nosso redor.

Imersos na rotina vamos nos afastando desta energia vital e neste isolamento chegam o vazio e a solidão.

Agora, neste exato instante, imersa neste cenário, me reconecto e percebo em mim a matéria primeira da qual somos todos feitos e percebo este universo assim como é, interconectado e interdependente.

25/02/17

PÁGINA EM BRANCO

Página em branco.

O que você escreveria neste seu novo livro da vida?

O que não faria ou faria milhares de vezes se sua vida repentinamente se tornasse uma página em branco?

Sentiria desespero?

Sentiria o vazio?

Ficaria feliz ante a todas as milhares de possibilidades?

Ficaria estimulado ou desestimulado?

Ouviria atentamente as vozes da vida pulsando a sua volta e se encantaria, ou,amaldiçoaria o fato do recomeçar?

A cada dia, temos a possibilidade de reescrever nossa história, de nos tornarmos mais humanos, de nos reencantarmos com o ato de viver.

A vida nos presenteia a cada dia com um novo despertar e este por si só, é repleto de possibilidades, e,  por estarmos inseridos na roda vida do cotidiano não enxergamos.

Sim, nós podemos recomeçar. Podemos colorir de esperança as páginas onde faltou cor e nos alegrar com nossas pequenas conquitas, e reaprender a sorrir pelo simples fato de que estamos diante de todas as possibilidades.

Podemos reaprender a amar sem pretensão nenhuma, de nos encantar com o colorido da vida, porque a vida tem milhares de cores, sons, sabores, cheiros.

Podemos estampar um sorriso no rosto, deixar os cabelos ao vento e despreocupadamente sermos felizes pelo simples fato de que a vida é nosso maior presente e só depende de nós colorir a página em branco.

19/02/2017

 

MEMÓRIAS

Felizes nós humanos que podemos abrir os arquivos da memória e relembrar a caminhada percorrida.

Somos seres feitos de razão e raciocínio, porém, entendo que o que nos move é a paixão.

Ela traz cor onde antes reinava a monocromia, traz ânimo onde antes reinava o desanino, traz luz onde só se enxergavam apenas as trevas.

Memórias podem ser doloridas ou saudosas, mas, tem o poder de nos tornar mais vivos e de nos ensinar com os erros cometidos.

A passagem dos anos, há tanto custo evitada nos dias de hoje, onde milhares de tratamentos estéticos e novas tecnologias nos querem fazer acreditar que seremos eternos Peter Pan´s, não é este monstro horrendo que nos quer ver decrépitos e inúteis, mas é tão somente, o acúmulo das experiências vividas, e que, se bem compreendidas, são capazes de nos brindar com a sabedoria.

Hoje, após anos vividos, a memória é capaz de me surpreender com um olhar mais sereno sobre as coisas que me cercam.

Hoje, boa parte da eterna luta que travei com o tempo e as coisas que imaginava que teria que fazer, dão lugar a uma caminhada onde me comprometo em viver apenas o dia de hoje, o que aliás é o único que realmente me compete viver.

Hoje descobri, que a vida se completa com estes pequenos presentes, como um sorriso descompromissado ou uma bela manhã de sol.

Hoje a vida faz sentido nas micro conquistas não nos sonhos delirantes.

Hoje, sou grata pelos anos que vivi e que me possibilitam utilizar a memória como um exercício de aprendizado e evolução.

Hoje vejo o tempo como um aliado e a vida esta escola de aprendizado contínuo onde me vejo passo a passo buscando a evolução.

19/02/2017.