Cenário de Paz

img_1713Mergulho nesta paz que subitamente atinge minha retina.

A luz invade calmamente e banha de encantos este cenário.

Sou a expectadora do espetáculo da vida que me renova e me mostra, quão simples pode ser a nossa existência.

Esta harmonia faz parte de nós, mas, invariavelmente  vamos nos afastando desta conexão vital e então nos perdemos.

Nos perdemos do sentido de harmonia presente em cada minúscula coisa do nosso entorno.

Nos perdemos do senso de pertencimento desta natureza da qual fazemos parte e da sua importância.

Nos perdemos da sensação de estar em casa , a cada vez que nos reconectamos com a explosão de vida ao nosso redor.

Imersos na rotina vamos nos afastando desta energia vital e neste isolamento chegam o vazio e a solidão.

Agora, neste exato instante, imersa neste cenário, me reconecto e percebo em mim a matéria primeira da qual somos todos feitos e percebo este universo assim como é, interconectado e interdependente.

25/02/17

TANGO

Dança dos corpos.

Luta vã.

Enlaçados, os apaixonados bailam uma cadência de suspiros e dilemas.

Olhos mirando o movimento rápido de outros na ãnsia de buscar mais.

Bocas que quase se tocam em movimentos de ondas que tentam enlaçar o impossível.

Sonhos que desfilam a cada passada , a cada abraço, a cada rodopio onde as palavras não precisam ser ditas.

Apenas a cadência das pernas entrelaçadas, as respirações ofegantes e aquele desejo suspenso no ar.

A melancolia existente em cada encontro, que persiste na paixão e que permanece na despedida.

O tango representa o desejo do ápice, de eternizar algo que sabemos não ser possível.

Talvez contenha a fórmula que tanto buscamos em cada dia de nossas vidas, paixões eternizadas no segundo em que bocas se encontram e em que corpos se entrelaçam na cadência frenética de um amor sem começo e nem fim.

21/02/2017

PÁGINA EM BRANCO

Página em branco.

O que você escreveria neste seu novo livro da vida?

O que não faria ou faria milhares de vezes se sua vida repentinamente se tornasse uma página em branco?

Sentiria desespero?

Sentiria o vazio?

Ficaria feliz ante a todas as milhares de possibilidades?

Ficaria estimulado ou desestimulado?

Ouviria atentamente as vozes da vida pulsando a sua volta e se encantaria, ou,amaldiçoaria o fato do recomeçar?

A cada dia, temos a possibilidade de reescrever nossa história, de nos tornarmos mais humanos, de nos reencantarmos com o ato de viver.

A vida nos presenteia a cada dia com um novo despertar e este por si só, é repleto de possibilidades, e,  por estarmos inseridos na roda vida do cotidiano não enxergamos.

Sim, nós podemos recomeçar. Podemos colorir de esperança as páginas onde faltou cor e nos alegrar com nossas pequenas conquitas, e reaprender a sorrir pelo simples fato de que estamos diante de todas as possibilidades.

Podemos reaprender a amar sem pretensão nenhuma, de nos encantar com o colorido da vida, porque a vida tem milhares de cores, sons, sabores, cheiros.

Podemos estampar um sorriso no rosto, deixar os cabelos ao vento e despreocupadamente sermos felizes pelo simples fato de que a vida é nosso maior presente e só depende de nós colorir a página em branco.

19/02/2017

 

MEMÓRIAS

Felizes nós humanos que podemos abrir os arquivos da memória e relembrar a caminhada percorrida.

Somos seres feitos de razão e raciocínio, porém, entendo que o que nos move é a paixão.

Ela traz cor onde antes reinava a monocromia, traz ânimo onde antes reinava o desanino, traz luz onde só se enxergavam apenas as trevas.

Memórias podem ser doloridas ou saudosas, mas, tem o poder de nos tornar mais vivos e de nos ensinar com os erros cometidos.

A passagem dos anos, há tanto custo evitada nos dias de hoje, onde milhares de tratamentos estéticos e novas tecnologias nos querem fazer acreditar que seremos eternos Peter Pan´s, não é este monstro horrendo que nos quer ver decrépitos e inúteis, mas é tão somente, o acúmulo das experiências vividas, e que, se bem compreendidas, são capazes de nos brindar com a sabedoria.

Hoje, após anos vividos, a memória é capaz de me surpreender com um olhar mais sereno sobre as coisas que me cercam.

Hoje, boa parte da eterna luta que travei com o tempo e as coisas que imaginava que teria que fazer, dão lugar a uma caminhada onde me comprometo em viver apenas o dia de hoje, o que aliás é o único que realmente me compete viver.

Hoje descobri, que a vida se completa com estes pequenos presentes, como um sorriso descompromissado ou uma bela manhã de sol.

Hoje a vida faz sentido nas micro conquistas não nos sonhos delirantes.

Hoje, sou grata pelos anos que vivi e que me possibilitam utilizar a memória como um exercício de aprendizado e evolução.

Hoje vejo o tempo como um aliado e a vida esta escola de aprendizado contínuo onde me vejo passo a passo buscando a evolução.

19/02/2017.

Viagem

A distância me fez mergulhar no verde denso dos teus olhos.

Este mar de aventuras e deleites.

Esta profundeza de mistérios e sentidos.

Esta corrente de sensações que ao longo do tempo, como que por magia, foram se renovando e preenchendo de frescor as terras sempre férteis de meu coração.

Viver a seu lado, é renovar o sentido de plenitude.

Sentir a brisa cálida do desejo que sempre se faz presente.

É sair das mesmices do cotidiano.

É perceber que podemos sempre ser mais e melhores.

É aprender com seu jeito de ser.

É se encantar com seus pequenos gestos e grandes virtudes.

É sentir seu calor, brasa incandescente, mesmo não estando a seu lado.

É fechar os olhos e vislumbrar seu sorriso luminoso, como no primeiro dia em que meus olhos cuzaram com os teus.

É ainda, acredite, sentir meus olhos marejados, equanto escrevo estas parcas linhas.

Palavras são instrumentos para tecermos os fios dos sentimentos e descobrir novas texturas.

E nesta descoberta, sinto-me novamente a menina que te descobre e sorri, e se encanta , e se descobre novamente apaixonada e sendo feliz.

10/02/11

Silêncio 2

No silêncio,

Eu berro o grito dos vencidos.

No silêncio,

Insisto o protesto destemido.

No silêncio,

Manifesto das entranhas à exaustão, as agruras destes tempos.

No silêncio,

Sinto o lamento ferrenho das múltiplas vozes que ecoam na memória.

Neste meu silêncio, expresso o que as palavras já não conseguem exprimir.

O silêncio pode ser capaz de trazer todas as palavras.

Aquelas que não foram ditas.

O silêncio é a casa do grito.

10/02/17.

 

Silêncio

Quanto o silêncio pode ser perturbador?
Assustador.
Invasivo.
Destrutivo.
Quando podemos sentir que nossa única resposta pode ser o silêncio?
A resposta que grita sem palavras,
A resposta que expõe nossas entranhas.
A perturbadora e única solução muda nesta casa onde tudo é grito.
08/02/17

HUMANIDADE DESUMANA

Somos humanos,

E isto por si só carrega as características únicas de nossa espécie como o sentido de união, fraternidade, proteção, sensibilidade.

Centenas de milhares de anos e hoje, percebemos o auge de nossa civilização, doenças foram debeladas, cidades que se transformaram em megalópoles, o mundo conectado e muito bem informado.

Este excesso de modernidade, de informação, e ao mesmo tempo de competição entre os seres, talvez nos tenha transformado pouco a pouco e quando percebemos vimos que um grande iceberg já havia se instalado.

Aparentemente, tudo se mantinha de forma muito semelhante, porém, nossa sociedade foi  acometida de uma silenciosa síndrome da perda de sua sensibilidade.

Talvez, este excesso de informação e sensacionalismo foi deixando em nós um gosto amargo de censura e sem perceber fomos pouco a pouco ignorando que o que nos faz humanos, é justamente o ato de importar-se com outro, pois em essência, o outro é parte de nós mesmos, raça humana.

Neste sentido, é possível assistir a fatos que em outra realidade trariam o espanto as almas mais cruéis.

A pergunta é, porque esta síndrome tomou conta de nossos tempos modernos?

Porque situações de crueldade, penúria, mortes, abandonos, já não nos espantam ou comovem se em nossa essência temos todas as qualidades de nossa espécie para nos colocarmos no lugar do outro e exercer a compaixão?

Temos que buscar um antídoto para este veneno chamado insensibilidade, antes que ele nos transforme em centenas de milhares de seres altamente ativos, politizados, bem informados, conectados, mas áridos em nossas essências, uma aridez para a qual possa não haver mais remédio.

Talvez, o antídoto, seja resgatar através do reencontro com a sensibilidade um recomeço no sentido de olhar o outro com os olhos do coração.

SEMEAR E COLHER

A sensibilidade é um exercício de perceber no outro algo que que nos incomoda e que gostaríamos que percebessem em nós.

Dentro de nós, seres racionais e emocionais, habitam as várias portas que acessam caminhos de evolução, por outro lado, habitam também, os quartos escuros, aqueles que não queremos ver, que fingimos para nós mesmos que não existem, que nos trazem vergonha ou espanto.

Quando destilamos a outrem nossos venenos mentais, na realidade, estamos dando ênfase ao pior de nossa espécie, estamos plantando as sementes que pela causa e efeito hão de germinar e em algum ponto da trajetória e inevitavelmente faremos a colheita.

Se pelo desafio deste exercício diário que é viver, pudermos ir substituindo mágoas, ódio, ira, inveja, ressentimentos por um olhar mais amplo, e ,buscar no fundo de cada um de nós a centelha viva da compaixão, as sementes que serão plantadas e colhidas ao longo da caminhada não só afetarão positivamente nosso dia-a-dia, mas também perceberemos que o mundo a nossa volta poderá se transformar em um verdadeiro aprendizado e crescimento neste processo de evolução.

A vida só faz sentido e é capaz de aplacar o vazio da existência, se pouco a pouco começarmos a enxergar neste planeta um oásis de fraternidade e compaixão, e este oásis só vai acontecer de fato quando decidirmos que ele precisa começar dentro de cada um de nós.

04/02/2017.