reflexões pelo meu aniversário – 30/08

Vida,

O grande presente do universo é a caminhada de aprendizado que nos impulsiona rumo ao crescimento.

A estrada percorrida só nos demonstra que tudo o que vivemos valeu a pena.

A vida não se traduz em alegrias eternas, existem também as dores do crescimento, mas, na verdade, estão ali para que possamos aprender a apreciar um pouco mais sobre esta passagem finita.

Sinto-me agradecida por tudo: pela família que sedimentou em mim os valores essenciais e a forma de ver e vivenciar este mundo;pelas milhares de gerações que me antecederam, os meus ancestrais, honro cada um deles, muito embora desconheça a estória de vida deles, mas sei, que em cada átomo do meu ser uma parte deles vive.

Na minha visão o grande templo chamado corpo é a pequenina representação deste algo maior que alguns chamam de alma, outros de espírito e eu de todo iluminado.

Sinto que cada coisa e cada ser deste planeta chamado Terra se encontra conectado a grande teia da vida, e será apenas pelo amor incondicional e universal que poderemos contribuir para um amanhã mais equilibrado para todos.

Como o que sempre me moveu foi a esperança, espero que causas e condições me possibilitem acompanhar a evolução deste mundo para um amanhã de mais amorosidade, mais tolerância, e de mais empatia com os que sofrem.

Que esta grande jornada da existência possa trazer os bons frutos e as raízes profundas do grande e belo jardim da existência para todos os seres.

SOLANGE BIOLCATTI.

vida

Vida,

Palavra com tantos sentidos intrínsecos e extrínsecos.

Somos o seu fruto, o fruto daqueles que sobreviveram.

Somos dia após dia movidos por ela.

Somos inspirados pelas mais extensas manifestações deste fenômeno.

Queremos nos perpetuar e neste sentido, inconscientemente queremos deixar nossos descendentes, uma raiz daquilo que também representa nossa vida.

Geração após geração fomos distribuindo a nossa história em outras vidas que se seguiram.

O que tudo isso representa?

O que de fato faz sentido a nós, aos nossos anseios, aos nossos devaneios nesta existência tão profunda em significados e tão breve quando comparada ao tempo universal?

Por que damos tanto valor a coisas que são passageiras e perdemos o tão precioso tempo quando poderíamos priorizar o que de fato faz sentido e nos representa?

Talvez nunca iremos saber, talvez num futuro distante e perdido um possível descendente possa encontrar a resposta. Fato é que independentemente dos desafios, das desilusões, dos desalentos, a vida é a chama que se perpetua e a qual estamos atavicamente atrelados. Ela é o princípio e o fim e movidos por esta chama vamos vivendo.

Vida, rio eterno que permanece e que nos mostra o quão perfeito é tudo isto que nos cerca.

Solange Biolcatti – 02/06/19.

OLGA

Começar um texto repleto de emoção é uma das coisas mais difíceis de fazer, pois, a emoção embaralha a razão e turva as palavras.

Busquei então, começar este texto, pois há uma necessidade básica de expor este turbilhão de emoção que agora habita em meu peito.

Busquei a origem do nome daquela que viria a conhecer anos depois na minha tenra juventude, Olga, e encontrei na etimologia da palavra, a exata dimensão do que representou esta mulher:

Consagrada a Deus, carrega consigo as qualidades de uma mulher repleta de virtudes tais como dignidade, respeito, bondade e beleza.

Seus pais, souberam antecipadamente, na data de seu nascimento, o que viria a se transformar em sua fase adulta, uma mulher ímpar, um caráter único, uma fé inabalável, uma doçura que a tudo envolvia e encantava.

Os anos em que desfrutei de sua companhia, só demonstraram um ser humano no caminho da auto realização, pois, o que vi ao longo dos anos que pude compartilhar de sua companhia, foi uma pessoa repleta de amor incondicional e de compaixão, qualidades essenciais , quando conseguimos ultrapassar as fronteiras da materialidade da existência e adentrar no âmago do que é efetivamente a experiência de viver.

Sem perceber, sua forma de ser tocou o meu ser e as sementes tinham sido plantadas em meu coração.

Hoje olho e vejo um lindo jardim florido.

Vejo os pássaros coloridos e seus cantos mágicos.

Vejo seus filhos e netos.

Vejo como tudo o que ajudou a construir ficou tão belo.

E neste cenário de harmonia e luz, vejo seu sorriso que por tantas vezes me encantou.

Hoje sei que está plena e nos vê de uma forma única, livre no paraíso de evolução onde se encontra.

Hoje, estamos tristes, mas, tenho certeza de que o Universo ficou feliz em tê-la por perto espalhando este amor e este sorriso que nunca mais sairá de nossos corações.

Obrigada por tudo, minha sogra, minha amiga.

 

05/06/17

Viagem

A distância me fez mergulhar no verde denso dos teus olhos.

Este mar de aventuras e deleites.

Esta profundeza de mistérios e sentidos.

Esta corrente de sensações que ao longo do tempo, como que por magia, foram se renovando e preenchendo de frescor as terras sempre férteis de meu coração.

Viver a seu lado, é renovar o sentido de plenitude.

Sentir a brisa cálida do desejo que sempre se faz presente.

É sair das mesmices do cotidiano.

É perceber que podemos sempre ser mais e melhores.

É aprender com seu jeito de ser.

É se encantar com seus pequenos gestos e grandes virtudes.

É sentir seu calor, brasa incandescente, mesmo não estando a seu lado.

É fechar os olhos e vislumbrar seu sorriso luminoso, como no primeiro dia em que meus olhos cuzaram com os teus.

É ainda, acredite, sentir meus olhos marejados, equanto escrevo estas parcas linhas.

Palavras são instrumentos para tecermos os fios dos sentimentos e descobrir novas texturas.

E nesta descoberta, sinto-me novamente a menina que te descobre e sorri, e se encanta , e se descobre novamente apaixonada e sendo feliz.

10/02/11

DISTÂNCIA, RIO CAUDALOSO

A distância é um rio caudaloso, perigoso, denso, tenso, que cria abismos em suas profundezas, abismos por vezes intransponíveis.

Contrário senso, não é remédio que corrige, mas por vezes, o veneno lento que corrói o que ainda guardmos de bom.

Esta angústia tem seu tempo de maturação, como tudo em nossas vidas, pois exatamente tudo está em constante transformação.

Parafraseando Drummond, posto que de tudo fica um pouco, ao final desta longa jornada, após esta noite interminável, o que restará? Um botão ou um rato?

2011

Amanhecer dos corpos

2016-07-13-17-34-13Pela manhã o corpo lentamente desperta e preguiçosamente sente os primeiros raios da manhã. Atenta-se para o momento tristonho de ter que separar-se do outro que estava a seu lado.

Ainda, sem obedecer direito, procura entre o olhar espremido, forçar a visão para a hora da partida.

Percebe como que por instinto, a aproximação do outro, e ali, condensa toda  a vontade de ficar e esforça-se por balbuciar algumas palavras.

Em vão nutre a esperança de eternizar o momento e sem forças rende-se aceitando então a despedida. Posto que tudo é esta chama ardente, explode em múltiplas faíscas sentindo o toque das mãos e das bocas unidas e fica ali em êxtase buscando sorver cada minuto daquele momento eterno.

Sente então que tudo se funde, e que o amor se expressa nesta dança inexplicável de duas almas que se encontraram muito antes dali e então sorri.

02/02/17.

Solidão

Havia esquecido aquela velha sensação .Minha boca sentiu o amargo de outrora e então eu tive medo.

Medo, velho conhecido que por tantas vezes jogou-me no vazio. Vazio que novamente experimento ante a agonia de estar sozinha em meio à multidão.

Neste segundo da existência, tudo se resume a mergulhar fundo neste vácuo e sentir o frio percorrendo as entranhas.

Este segundo transforma a alma e turba qualquer expectativa .

Neste vazio me vejo oca e negligente busco no ocaso algo que sublime a escuridão .

Mergulho cada vez mais fundo até sentir que as forças não suportam e tocando o fundo da existência vejo que posso novamente submergir e insana buscar o sol de primavera.

01/02/2017

DESPEDIDA

É difícil dizer adeus baby!

A noite já tomou conta de tudo.

Carros ruidosos aceleram e soltam no ar baforadas de fumaça.

Bêbados, dizem asneiras nas esquinas e copos enchem-se pela última vez.

Sinto que tudo se misturou e não consigo mais conciliar minhas próprias ideias.

Imagino o que as pessoas, o que talvez este mundo ordinário gostaria que eu pensasse, mas ao mesmo tempo, quero que todos os estatutos ridículos se explodam.

Então, percebo que preciso intensamente de você. Sempre foi você que me disse ao longo do tempo, tudo o que tinha que fazer e fiz, e sim, me acostumei a isto.

Estou vazia, desprovida de minhas próprias ideias, de meus próprios desejos. Tudo é confuso e embaralhado neste emaranhado de sensações. Me transformei senão em um objeto, seu objeto de estima que você fez questão de manter longe de tudo e hoje tornei-me o ser inanimado que você sempre desejou.

Hoje, o ser inanimado teve seu lampejo de ousadia. Hoje o ser inanimado está pronto para dizer adeus.

A noite se esvai. Lá fora os neons ainda brilham, os carros ainda passam apressados, pessoas ainda trocam confidências de fim de noite depois das bebedeiras e o mundo continua caminhando para o nada.

Hoje também me sinto o nada, talvez um pequenino inseto lutando pela sobrevivência, mas, um inseto que permanecerá lutando, porque as batalhas são muitas e hoje eu venci a minha.

Solange Biolcatti (meados dos anos 90).