DESPEDIDA

É difícil dizer adeus baby!

A noite já tomou conta de tudo.

Carros ruidosos aceleram e soltam no ar baforadas de fumaça.

Bêbados, dizem asneiras nas esquinas e copos enchem-se pela última vez.

Sinto que tudo se misturou e não consigo mais conciliar minhas próprias ideias.

Imagino o que as pessoas, o que talvez este mundo ordinário gostaria que eu pensasse, mas ao mesmo tempo, quero que todos os estatutos ridículos se explodam.

Então, percebo que preciso intensamente de você. Sempre foi você que me disse ao longo do tempo, tudo o que tinha que fazer e fiz, e sim, me acostumei a isto.

Estou vazia, desprovida de minhas próprias ideias, de meus próprios desejos. Tudo é confuso e embaralhado neste emaranhado de sensações. Me transformei senão em um objeto, seu objeto de estima que você fez questão de manter longe de tudo e hoje tornei-me o ser inanimado que você sempre desejou.

Hoje, o ser inanimado teve seu lampejo de ousadia. Hoje o ser inanimado está pronto para dizer adeus.

A noite se esvai. Lá fora os neons ainda brilham, os carros ainda passam apressados, pessoas ainda trocam confidências de fim de noite depois das bebedeiras e o mundo continua caminhando para o nada.

Hoje também me sinto o nada, talvez um pequenino inseto lutando pela sobrevivência, mas, um inseto que permanecerá lutando, porque as batalhas são muitas e hoje eu venci a minha.

Solange Biolcatti (meados dos anos 90).

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