SOU

Sou,

Emoção,

Explosão

Natureza complexa mas ao mesmo tempo tão simples.

Busco paz, serenidade apesar de muitas vezes permanecer em estado de guerra por instinto de defesa.

Sonho muitas vezes com momentos únicos que são incapazes de se repetir e como criança acalanto sonhos.

Persigo tantos sonhos que penso que o tempo será insuficiente.

Tenho planos como se fosse permanecer por mais mil anos.

Tenho a sensação de que o tempo é insuficiente e esta luta insana me provoca inquietações.

Minhas emoções são um mar revolto, porque ao mesmo tempo que quero muito alguma coisa, pelos menores dissabores, rechaço este querer e não me permito sofrer por isto.

O grande desafio está em entender minhas emoções e viver de uma maneira que possa não me permitir estragar humor, saúde, rumos de vida por momentos de explosão que só me farão perder o grande presente que é viver o momento.

Preciso aprender a ser feliz um dia de cada vez.

SENTIDO DA VIDA

Estava apenas imaginando qual seria o sentido de nossas vidas, desta experiência excepcional que é viver, com tudo o que precisamos aprender, errar, insistir, desistir.

Nos anos da juventude, imaginava que a vida era apenas uma sucessão de coisas por fazer, de momentos que tínhamos que viver intensamente, com a percepção de que havia uma luta insana contra o tempo, contra o relógio biológico, contra algo que sentia poderia modificar tudo ao meu redor.

Com o passar dos anos e das experiências vividas, entendi que a vida é este presente que se vive dia após dia, sem ansiedades.

Entendi e estou buscando a essência das coisas e elas são bem mais simples do que imaginei.

Não são os espetáculos fantásticos que nos trazem os ganhos, mas, a vida corriqueira, aparentemente comum e sem efeitos que nos ensinam que a essência de viver é muito mais simples do que parece ser.

Sinto que os anos são o grande bálsamo que tem acalentado meus anseios e trazido a resposta as mais complexas questões.

Hoje, vejo o ato de sentar e meditar como a essência em buscar este auto conhecimento, fundamental no encontro comigo mesma e com o universo a minha volta.

Acredito que o futuro da espécie humana e a qualidade de nosso futuro está intrinsecamente ligada a esta pequena e fantástica descoberta de conhecer a si mesmo e de aceitar as coisas como são.

CANSAÇO

Cansei de compreender,

Cansei do tédio que muitas vezes parece ser o único remédio,

Cansei da rotina que desfaz pouco a pouco o assombro que esperamos encontrar um dia.

Cansei da melancolia que destroi a esperança que buscamos conservar,

Cansei dos dias mornos e previsíveis que repetimos numa ladainha sem fim,

Cansei até de imaginar como poderei ser eu, ou, poderia ter sido, esta sucessão sem fim de hipóteses que não levam a lugar algum.

Cansei desta busca frenética por algo que talvez esteja muito além do que minha razão me permite alcançar.

Cansei de sofrer pelo que virá, visto que não sei se chegará, e pelo que se foi, posto que não mais poderei modificar.

E neste hoje que me cabe viver, concluo, que quero apenas viver,

Sem expectativas,

Sem angústias,

Sem arrependimentos,

Sem o turbilhão de sentimentos,

Apenas por este minuto, viver o aqui,  esta fração de segundo, condensar o mundo todo apenas neste momento.

 

 

22/05/2017

 

TEMPOS LIQUIDOS

E derrepente um  assombro.

Subitamente percebemos que tudo a nossa volta se desfaz.

Tempos liquefeitos onde o eterno é apenas o espaço de um encontro.

Num mundo onde tudo é pressa e excesso de informação, onde haverá tempo para a contemplação, para uma conexão real e profunda?

Estes novos tempos nos expõe a um dilema com a nossa forma intrínseca de sentir o mundo a nossa volta.

Tudo o que imaginávamos ter algum sentido de permanência se esvai.

Somos impelidos a ter cada vez mais pressa, mais informação para nos sentirmos conectados e menos relações com a marca da pessoalidade.

Tudo parece que ficou mais simples, mais rápido no mundo da informação, mas, muito menos real, pois, tudo pode ser resolvido com uma mensagem de texto ou voz ou um like de redes sociais.

Nunca o mundo ficou tão pequeno, pois está ao alcance do click do mouse, e nunca a sensação de solidão ficou tão exposta em nossos cotidianos.

Tempos em que as relações tornaram-se liquidas e as pessoas mais seguras atrás de seus laptops, celulares e pc’s.

Tempos em que temos a fome dos tempos de outrora, mas, que o próprio tempo ou a sua ausência não nos permite viver de forma diferente.

Somos os filhos destes novos tempos liquidos, mas, nossa essência ainda grita por algo que ficou lá fora.

 

17/05/2017.

Tempo

Oca a humanidade projeta o olhar buscando algo.

Ocos os homens mantém-se supostamente engajados, banalizados em seus projetos de vida, em seus escritórios organizados, em suas reuniões pautadas por gráficos de desempenho, em suas rotinas de sufocante angústia.

Buscam, quem sabe, dentro  das terras ressequidas , um oásis onde matar a sede de vida.

Olham-se, quem sabe almejando um insight, um lampejo de vida ainda não consumida.

Mas, a espera é infinita, e a vida, consome-se neste mar de anos passados no eterno dilema de quem sabe um dia.

Assim marcham os milhões em suas rotinas, criando mundos ideais em pequenos hiatos de tempo, onde o sonho é possível, mas como tudo é efêmero, passa.

E assim passam-se os anos e subitamente olhamos para a terra prometida que um dia vislumbramos e vemos que ela já não brilha.

Vemos um cenário retorcido de coisas puídas e empoeiradas pela ação do implacável tempo.

Tempo, o senhor absoluto sobre todos , que desdenha dos pequenos sonhos humanos e vez por outra concede um vislumbre do infinito.

Pobre sonho humano, imaginamo-nos heróis e nos descobrimos pequenos e vãos.

Pobre do homem que acredita ser possível vencer as garras do tempo e encontrar-se pleno, pois a vida é apenas poeira no tempo.

 

 

28/02/17