FORMAS

Formas…

No redondo do mundo,

No sorriso retilíneo,

Na boca carnuda, flamejando desejos não expressos.

Nos olhos faiscando pensamentos.

No balanço macio do corpo curvilíneo, dança surrealista de muitas palavras não ditas.

No verbo que se expressa em suas múltiplas formas e facetas:

Na palavra afiada,

No tom sarcástico,

Na rima melódica,

Na frase bem-posta,

No tom de incentivo,

Na palavra amiga.

No nexo daquilo que a princípio nos parece sem sentido, mas que os sentidos apreendem,

E mais uma vez roda lentamente o mundo e suas formas.

Circulam formas táteis,

Sentimentos fluidos,

E descobrimos a cada segundo, a magia de toda forma de vida,

Que pulsa,

Que se expande,

Que se regenera,

Que se encanta no encontro de sentimentos e renasce em outra forma muito maior.

 

Solange Biolcatti – 26/02/2018.

FORÇA VIVA

Qual o nome deste rompante que em nós se instala e que nos faz acreditar e seguir sempre em frente?

Qual é esta conexão mágica que nos faz sentir parte deste todo absoluto e que nos enche de ânimo novo a cada dia.

Qual é o sentido deste pulsar que independente de idade, condição física ou social nos faz sonhar e querer buscar os nossos limites e ir além.

Somos esta energia viva,

Somos estes seres aparentemente únicos, mas, que estão conectados a tudo.

Temos esta chama primeira dentro de cada um de nós e somos a força pulsante da terra.

Somos muitas vezes, símbolos de abusos e atrocidades, mas, também somos o olhar de compaixão, de unidade, de justiça e empatia com a dor alheia.

Temos estes dois caminhos dentro deste eu individual: o que se torna egoísta e mesquinho, ensimesmado e autoritário, mas, temos também o lado que consegue ultrapassar a barreira do ego e alcança um olhar no além.

Acredito que no dia em que este processo de rompimento do eu menor acontecer, todos nós, sem exceção, vamos despertar para aquilo que sempre esteve ali a nossa espera, e neste dia a Terra vai se tornar este lugar de perfeição absoluta, pois não há nada que já não tenhamos ao alcance de nossas mãos.

Solange Biolcatti – 18/02/18

O SAL DA TERRA

O que nos move?

O que traz sentido a vida?

O que nos enche de ânimo?

Vivemos satisfeitos com aquilo que temos e conseguimos ser felizes?

O que é felicidade?

O que exatamente busco como ser humano?

Estas e outras tantas perguntas sempre inundaram nossos pensamentos e permearam aquilo que buscamos como a essência do ser.

Não penso que seja uma busca essencialmente individual porque o sentido desta existência é percebermos que a medida que nos harmonizamos com o nosso entorno e que queremos bem a um maior número de seres sem distinção é quando verdadeiramente encontramos o sentido de tudo, aquilo que dá tempero a vida, o sal da terra.

O sal da terra é buscarmos o bem, é sentirmo-nos unidos a tudo e a todos, é perceber que aquele que sofre está ligado a nós da maneira mais intrínseca porque estamos todos conectados.

O sal da terra é sermos agradecidos e apreciarmos a vida assim como ela se apresenta a nós, sem apegos nem aversões.

O sal da terra é sorrir e espalhar alegria onde quer que estejamos, sem escolher a quem.

O sal da terra é expandir este amor universal que sempre existiu em nós e que é capaz de fazer este mundo, apesar dos problemas, das dúvidas, dos desencontros, do desamparo, um lugar melhor para se viver.

Solange Biolcatti – 15/02/18.

SALTO

Olho o abismo abissal a que fui lançada.

A memória busca respostas, mas, o cansaço da repetição de anos a fio me impedem de acessar a pergunta sem resposta.

A minha volta, a rotina se mantém inerte. Olho as coisas e estas parecem as mesmas, então percebo, que a mudança aconteceu em mim.

Nesta roda infinita, a que poderia aqui chamar de meu samsara pessoal, consegui olhar as coisas a meu redor como o espectador que a certa distância consegue enxergar toda a cena e percebe as nuances antes desapercebidas.

Percebi que o engano e a total falta de compromisso com o tempo presente resultaram no sentimento de vazio.

Percebi que a existência tem um sentido maior, embora, esteja tão absorta no cotidiano.

Percebi que as grandes conquistas advém das pequenas vitórias, de viver um dia após o outro, quando exercitamos a plena atenção.

Percebi que esta experiência fantástica de viver é um tênue fio conectado a energia suprema, e que somos este todo iluminado, quando nos percebemos nesta teia universal onde absolutamente ninguém, é uma ilha isolada.

Percebi que podemos viver com qualidade, se a gratidão for a tônica de nosso cotidiano.

Percebi que o perdão é o remédio mágico que traz paz ao coração e leveza para a alma.

Percebi ao final, que tudo está exatamente onde deveria estar, então, sem apegos, sem aversões, sem raiva, sem dor, apenas compreendendo a imensidão que me cerca, agradeci.

 

10/11/2017.

 

ESTRELAS

Como estrelas do infinito,

Somos o todo manifesto.

Mesmo dentro dos pequenos casulos que formam nosso corpo físico, sentimos por relances de espaço e tempo, a grandeza daquilo que nos formou e daquilo que podemos ser, quando esta mente limitante for capaz de se manifestar em sua plenitude.

Quando o olhar se expande, somos capazes de sentir tudo o que de fato nos move e faz sentido nesta experiência fantástica que é viver.

Somos capazes de perceber todas as nuances que antes nos passavam desapercebidas,

Somos capazes de despertar das ilusões formadas por nossos pensamentos errôneos e compreender que este pequeno hiato chamado vida é uma breve antecipação daquilo que somos capazes de acessar quando mente e coração estão unidos.

Tudo está interconectado, desperte e desfrute a experiência!

09/10/2017

DONS E COTIDIANO

Não somos máquinas, somos humanos!

Talvez isto seja a grande benesse e também o maior desafio. Viver uma existência onde o entorno nos influencia, onde a dor e a tristeza nos machuque, onde o outro não é um ente despersonalizado com o qual não precise me preocupar.

O grande desafio a meu ver? Entender que aquilo que nos é natural, o sentimento, não pode se transformar frente a grande vilã da modernidade chamada de cotidiano.

A grande demanda da modernidade, por tarefas, prazos, metas, etc, vai pouco a pouco  alienando de nós aqueles dons primários que são o que justamente nos distinguem dentro deste planeta.

Precisamos aprender a perceber e conviver com as demandas do mundo moderno, porém, sem perder aquilo que nos é mais caro.

Precisamos entender que justamente aquilo que nos motiva, que traz brilho ao olhar, que aquece o coração são as percepções que vão além deste cotidiano.

É ver o sorriso de uma criança, é sentir o aroma das flores que despontam na primavera e fazem das manhãs uma festa de cores, é olhar um por do sol e entender o presente da natureza , é ver o brilho da Lua e das estrelas despontando no céu e sentir-se agradecido, é poder saborear um alimento e perceber quanto trabalho envolvido pode ter havido naquele prato de comida.

É saber que nesta experiência de ser humano, fomos agraciados com a inteligência e com a sensibilidade e como em uma balança, elas precisam estar equilibradas, pois, o mundo nos exige muito do primeiro dom , mas, sem o segundo dom definitivamente, a vida não teria o menor sentido.

 

 

29/09/17

O OLHAR

Acredito que o tempo nos traz uma forma ampliada e profunda de como olhamos a realidade da vida.

A experiência de viver, é este acontecimento único, insuperável, instransmitível, irrenunciável que nos apresenta passo a passo os múltiplos caminhos que nossas escolhas nos direcionam.

Quando iniciamos a jornada, nosso olhar tem pressa, quer absorver tudo, a sede de vida não cabe no espaço de um corpo e imaginamos que se abraçarmos tudo, poderemos ganhar mais tempo.

A realidade vai pouco a pouco nos mostrando que a grande experiência é justamente o contrário, se conseguirmos estar exatamente no momento em que estamos, com plena consciência, absorvendo com o todo de nosso ser o presente que é viver cada dia em sua plenitude, sem pressa, sem atropelos, sem julgamentos, sem buscar agarrar algumas coisas e descartar as outras, entenderemos que cada coisa está exatamente onde deveria estar.

A vida se torna mais simples, e o sabor das coisas que vivemos se torna mais real, menos angustiante.

O sentido das coisas são claros, pois, não buscaremos as respostas lá fora, mas sim, dentro de nós mesmos.

Este mergulho na própria percepção de nós mesmos, do que somos, de quem somos, nos traz a calma e olhar necessários para vivermos nossas vidas sem exasperações.

Como toda caminhada há de ter um destino, saberemos apreciar a viagem em cada detalhe, e ao final, teremos a certeza de que a estrada foi percorrida em plena cosnciência e não sobrarão arrependimentos, nem a sensação de que faltou tempo para vivermos mais.

Teremos sim, a sensação de saciedade sobre nossa vida, como aquele convidado que soube apreciar um belo jantar em cada detalhe e ao final, deixa delicadamente o guardanapo sobre a mesa, agradecido pela experiência única e que pôde ser absorvida em cada gota, pois, o convidado conseguiu viver em plena atenção.

11/08/2017.

 

 

SENTIDO DA VIDA

Estava apenas imaginando qual seria o sentido de nossas vidas, desta experiência excepcional que é viver, com tudo o que precisamos aprender, errar, insistir, desistir.

Nos anos da juventude, imaginava que a vida era apenas uma sucessão de coisas por fazer, de momentos que tínhamos que viver intensamente, com a percepção de que havia uma luta insana contra o tempo, contra o relógio biológico, contra algo que sentia poderia modificar tudo ao meu redor.

Com o passar dos anos e das experiências vividas, entendi que a vida é este presente que se vive dia após dia, sem ansiedades.

Entendi e estou buscando a essência das coisas e elas são bem mais simples do que imaginei.

Não são os espetáculos fantásticos que nos trazem os ganhos, mas, a vida corriqueira, aparentemente comum e sem efeitos que nos ensinam que a essência de viver é muito mais simples do que parece ser.

Sinto que os anos são o grande bálsamo que tem acalentado meus anseios e trazido a resposta as mais complexas questões.

Hoje, vejo o ato de sentar e meditar como a essência em buscar este auto conhecimento, fundamental no encontro comigo mesma e com o universo a minha volta.

Acredito que o futuro da espécie humana e a qualidade de nosso futuro está intrinsecamente ligada a esta pequena e fantástica descoberta de conhecer a si mesmo e de aceitar as coisas como são.

HUMANOS

Subitamente nos percebemos.

Percebemos a imensidão e a perfeição de tudo o que nos cerca.

E nossos olhos se expandem para além do que a própria visão é capaz de captar.

E nossos corações compreendem que recebemos um presente, esta vida.

E que devemos aprender a respeitar e aceitar cada coisa, cada diferença e cada semelhança como uma extensão de nós próprios.

A raça humana, tão complexa e ao mesmo tempo tão visceral.

Em nós encontramos o melhor e o pior de nossa origem.

Encontramos a mão estendida pedindo ajuda,

o olhar perdido de medo, de solidão, de angústia,

a fome,

as violências,

os abandonos,

o vazio insuperável.

Mas a raça humana tem este poder infinito de se refazer, de reconstruir o que foi destruído, de olhar para dentro de si e encontrar a força necessária para seguir adiante sem esmorecer, de quase se curvar as tempestades, porém, de se refazer na manhã seguinte como o arco íris sútil e colorido que estampa o céu nos trazendo esperança.

Então,

para cada mão que pede ajuda há sempre uma mão que ampara,

Para cada ser humano mergulhado no medo e na desesperança,

há sempre alguém disposto a ser a luz no fim do túnel,

Para cada violência sofrida,

há sempre alguém disposto a trazer a tão sonhada paz.

Para cada vazio, há sempre uma força maior que nos impele a olhar para dentro de nós mesmos no encontro com este auto conhecimento.

De saber o que somos, de saber para que estamos aqui e de finalmente perceber, que tudo e todos,  dos povos mais distantes até o parente mais próximo, formamos esta raça humana, interligada, interconectada e pronta a ter a empatia necessária para exercitar a compaixão.

07/07/2017