DISTÂNCIA, RIO CAUDALOSO

A distância é um rio caudaloso, perigoso, denso, tenso, que cria abismos em suas profundezas, abismos por vezes intransponíveis.

Contrário senso, não é remédio que corrige, mas por vezes, o veneno lento que corrói o que ainda guardmos de bom.

Esta angústia tem seu tempo de maturação, como tudo em nossas vidas, pois exatamente tudo está em constante transformação.

Parafraseando Drummond, posto que de tudo fica um pouco, ao final desta longa jornada, após esta noite interminável, o que restará? Um botão ou um rato?

2011

Humanos

img_0535Que força é esta que nos move e não nos faz desistir ?

Qual o sentido de nossa caminhada?

Qual conexão nos mantém unidos?

Somos esra força pulsante e somos a  ação necessária .

Somos multidão avassaladora e solidão profunda.

Somos  o melhor e o pior de nossa espécie .

Mas essencialmente, somos todos  o amanhã, aquilo que nos impulsiona, aquilo que gera em nós a curiosidade de percorrer o caminho e  buscar a  evolução.

Somos esta rede interconectada de energias pulsantes e sem notar nos auxiliamos mutuamente ,não notando que a caminhada não se faz sozinhos, que embora em trilhas distintas intimame temos um único rumo, alcançar a tão sonhada  luz que nos traga a paz e a certeza de manhãs luminosas para todos aqueles que virão depois de nós

03/02/17

Amanhecer dos corpos

2016-07-13-17-34-13Pela manhã o corpo lentamente desperta e preguiçosamente sente os primeiros raios da manhã. Atenta-se para o momento tristonho de ter que separar-se do outro que estava a seu lado.

Ainda, sem obedecer direito, procura entre o olhar espremido, forçar a visão para a hora da partida.

Percebe como que por instinto, a aproximação do outro, e ali, condensa toda  a vontade de ficar e esforça-se por balbuciar algumas palavras.

Em vão nutre a esperança de eternizar o momento e sem forças rende-se aceitando então a despedida. Posto que tudo é esta chama ardente, explode em múltiplas faíscas sentindo o toque das mãos e das bocas unidas e fica ali em êxtase buscando sorver cada minuto daquele momento eterno.

Sente então que tudo se funde, e que o amor se expressa nesta dança inexplicável de duas almas que se encontraram muito antes dali e então sorri.

02/02/17.

Solidão

Havia esquecido aquela velha sensação .Minha boca sentiu o amargo de outrora e então eu tive medo.

Medo, velho conhecido que por tantas vezes jogou-me no vazio. Vazio que novamente experimento ante a agonia de estar sozinha em meio à multidão.

Neste segundo da existência, tudo se resume a mergulhar fundo neste vácuo e sentir o frio percorrendo as entranhas.

Este segundo transforma a alma e turba qualquer expectativa .

Neste vazio me vejo oca e negligente busco no ocaso algo que sublime a escuridão .

Mergulho cada vez mais fundo até sentir que as forças não suportam e tocando o fundo da existência vejo que posso novamente submergir e insana buscar o sol de primavera.

01/02/2017

A VOCE SAMPA, POUCAS PALAVRAS

cronicas, Chaminés empesteiam teu céu de fumaças fedorentas.

Esquinas enchem-se do lixo que as pessoas insistem em abandonar pela cidade.

Mendigos, disputam na metrópole uma fresta tranquila em meio ao caos da sinfonia de buzinas.

Seus moradores disperços, projetam-se em mil estranhas figuras, invadindo avenidas e ruas.

Poucos são aqueles que percebem sua beleza quase perdida, pois há sempre muita pressa de se chegar não se sabe onde.

Fugir, talvez?

Impossível. Algo de inexplicável, nos une a você, cidade insandecida, nos prende, ao teu passado glorioso, as estrelas que tentamos encontrar em meio ao caos e a pressa das pessoas.

O teu povo é mundo.

Você é pátria.

No coração de todos nós teu sangue se desfaz, denso e punjante.

Por mais que te desprezem ou tentem fazer de ti o lixo de nossas próprias obras, não poderão apagar a tua força nem de nós o sentimento de sermos os teus filhos paulistanos.

Solange Biolcatti – Pelo dia 25/01.

A FRÁGIL FLOR

Pequena e frágil singela flor surge no jardim do éden,

Pétalas sutis em um emaranhado de cores,

Ao crescer, percebe-se desabrochando e exalando no ar aromas indecifráveis, encantadores.

Assim como elas, as frágeis flores, somos capazes de nos descobrir frágeis, porém, estrondosamente perturbadores.

Pétalas delicadas e aromáticas carregam em si a força da vida e a defesa dolorida dos espinhos.

Na dança da vida carregamos em nós a delizadeza e a força. Cor, aroma e espinhos.

Solange Biolcatti – 16/5/2015

ACONCHEGO

No abraço,

O lívido aconchego dos corpos tesos, agora emaranhados de prazer.

No beijo,

O sabor dos frutos proibidos, sorvidos em cada gota de prazer.

E no tempo,

Marco de uma nova aurora, representa este encontro de almas e a sutileza de fundir o universo inteiro em um único momento do aqui e agora.

Solange Biolcatti

TEMPOS MODERNOS

Tempos frenéticos.

Mundo hermético.

Sorriso sintético.

Relações diluídas no conforto das telas protetoras dos computadores, laptops, tablets, celulares onde a exposição é velada e os sentimentos expostos restrimgem-se a emoticons e pequenos sinais de like’s.

Tribos divididas na grande aldeia Terra.

Nunca estivémos tão próximos e tão milimetricamente separados por gostos, tendências, expectativas.

Nunca o mundo esteve tão conectado, informado, engajado, personalizado mas essencialmente vazio.

Rostos sorridentes e takes deslumbrantes invadem as redes sociais, mas,  pessoas sufocadas invadem terapeutas em busca de lenitivos para alcançar a tão sonhada felicidade.

Do que realmente precisamos?

O que buscamos?

O que é verdadeiramente nossa essência?

O que ou quem sou eu?

Talvez este seja o exercício de uma vida inteira. Buscar o que verdadeiramente possa preencher as lacunas desta experiência fascinante e desafiante que é o ato de viver.

Talvez o que realmente possa completar nossa finitude, seja um sorriso próximo e um brilho despretencioso do olhar.

Talvez nesta dança da vida, pessoas reais em um mundo real tragam aquilo que seja novamente o sal da terra.

Solange Biolcatti – 30/01/2017.

DESPEDIDA

É difícil dizer adeus baby!

A noite já tomou conta de tudo.

Carros ruidosos aceleram e soltam no ar baforadas de fumaça.

Bêbados, dizem asneiras nas esquinas e copos enchem-se pela última vez.

Sinto que tudo se misturou e não consigo mais conciliar minhas próprias ideias.

Imagino o que as pessoas, o que talvez este mundo ordinário gostaria que eu pensasse, mas ao mesmo tempo, quero que todos os estatutos ridículos se explodam.

Então, percebo que preciso intensamente de você. Sempre foi você que me disse ao longo do tempo, tudo o que tinha que fazer e fiz, e sim, me acostumei a isto.

Estou vazia, desprovida de minhas próprias ideias, de meus próprios desejos. Tudo é confuso e embaralhado neste emaranhado de sensações. Me transformei senão em um objeto, seu objeto de estima que você fez questão de manter longe de tudo e hoje tornei-me o ser inanimado que você sempre desejou.

Hoje, o ser inanimado teve seu lampejo de ousadia. Hoje o ser inanimado está pronto para dizer adeus.

A noite se esvai. Lá fora os neons ainda brilham, os carros ainda passam apressados, pessoas ainda trocam confidências de fim de noite depois das bebedeiras e o mundo continua caminhando para o nada.

Hoje também me sinto o nada, talvez um pequenino inseto lutando pela sobrevivência, mas, um inseto que permanecerá lutando, porque as batalhas são muitas e hoje eu venci a minha.

Solange Biolcatti (meados dos anos 90).