Viagem

A distância me fez mergulhar no verde denso dos teus olhos.

Este mar de aventuras e deleites.

Esta profundeza de mistérios e sentidos.

Esta corrente de sensações que ao longo do tempo, como que por magia, foram se renovando e preenchendo de frescor as terras sempre férteis de meu coração.

Viver a seu lado, é renovar o sentido de plenitude.

Sentir a brisa cálida do desejo que sempre se faz presente.

É sair das mesmices do cotidiano.

É perceber que podemos sempre ser mais e melhores.

É aprender com seu jeito de ser.

É se encantar com seus pequenos gestos e grandes virtudes.

É sentir seu calor, brasa incandescente, mesmo não estando a seu lado.

É fechar os olhos e vislumbrar seu sorriso luminoso, como no primeiro dia em que meus olhos cuzaram com os teus.

É ainda, acredite, sentir meus olhos marejados, equanto escrevo estas parcas linhas.

Palavras são instrumentos para tecermos os fios dos sentimentos e descobrir novas texturas.

E nesta descoberta, sinto-me novamente a menina que te descobre e sorri, e se encanta , e se descobre novamente apaixonada e sendo feliz.

10/02/11

Silêncio 2

No silêncio,

Eu berro o grito dos vencidos.

No silêncio,

Insisto o protesto destemido.

No silêncio,

Manifesto das entranhas à exaustão, as agruras destes tempos.

No silêncio,

Sinto o lamento ferrenho das múltiplas vozes que ecoam na memória.

Neste meu silêncio, expresso o que as palavras já não conseguem exprimir.

O silêncio pode ser capaz de trazer todas as palavras.

Aquelas que não foram ditas.

O silêncio é a casa do grito.

10/02/17.

 

Silêncio

Quanto o silêncio pode ser perturbador?
Assustador.
Invasivo.
Destrutivo.
Quando podemos sentir que nossa única resposta pode ser o silêncio?
A resposta que grita sem palavras,
A resposta que expõe nossas entranhas.
A perturbadora e única solução muda nesta casa onde tudo é grito.
08/02/17

DISTÂNCIA, RIO CAUDALOSO

A distância é um rio caudaloso, perigoso, denso, tenso, que cria abismos em suas profundezas, abismos por vezes intransponíveis.

Contrário senso, não é remédio que corrige, mas por vezes, o veneno lento que corrói o que ainda guardmos de bom.

Esta angústia tem seu tempo de maturação, como tudo em nossas vidas, pois exatamente tudo está em constante transformação.

Parafraseando Drummond, posto que de tudo fica um pouco, ao final desta longa jornada, após esta noite interminável, o que restará? Um botão ou um rato?

2011

Humanos

img_0535Que força é esta que nos move e não nos faz desistir ?

Qual o sentido de nossa caminhada?

Qual conexão nos mantém unidos?

Somos esra força pulsante e somos a  ação necessária .

Somos multidão avassaladora e solidão profunda.

Somos  o melhor e o pior de nossa espécie .

Mas essencialmente, somos todos  o amanhã, aquilo que nos impulsiona, aquilo que gera em nós a curiosidade de percorrer o caminho e  buscar a  evolução.

Somos esta rede interconectada de energias pulsantes e sem notar nos auxiliamos mutuamente ,não notando que a caminhada não se faz sozinhos, que embora em trilhas distintas intimame temos um único rumo, alcançar a tão sonhada  luz que nos traga a paz e a certeza de manhãs luminosas para todos aqueles que virão depois de nós

03/02/17

Amanhecer dos corpos

2016-07-13-17-34-13Pela manhã o corpo lentamente desperta e preguiçosamente sente os primeiros raios da manhã. Atenta-se para o momento tristonho de ter que separar-se do outro que estava a seu lado.

Ainda, sem obedecer direito, procura entre o olhar espremido, forçar a visão para a hora da partida.

Percebe como que por instinto, a aproximação do outro, e ali, condensa toda  a vontade de ficar e esforça-se por balbuciar algumas palavras.

Em vão nutre a esperança de eternizar o momento e sem forças rende-se aceitando então a despedida. Posto que tudo é esta chama ardente, explode em múltiplas faíscas sentindo o toque das mãos e das bocas unidas e fica ali em êxtase buscando sorver cada minuto daquele momento eterno.

Sente então que tudo se funde, e que o amor se expressa nesta dança inexplicável de duas almas que se encontraram muito antes dali e então sorri.

02/02/17.

Solidão

Havia esquecido aquela velha sensação .Minha boca sentiu o amargo de outrora e então eu tive medo.

Medo, velho conhecido que por tantas vezes jogou-me no vazio. Vazio que novamente experimento ante a agonia de estar sozinha em meio à multidão.

Neste segundo da existência, tudo se resume a mergulhar fundo neste vácuo e sentir o frio percorrendo as entranhas.

Este segundo transforma a alma e turba qualquer expectativa .

Neste vazio me vejo oca e negligente busco no ocaso algo que sublime a escuridão .

Mergulho cada vez mais fundo até sentir que as forças não suportam e tocando o fundo da existência vejo que posso novamente submergir e insana buscar o sol de primavera.

01/02/2017

DESPEDIDA

É difícil dizer adeus baby!

A noite já tomou conta de tudo.

Carros ruidosos aceleram e soltam no ar baforadas de fumaça.

Bêbados, dizem asneiras nas esquinas e copos enchem-se pela última vez.

Sinto que tudo se misturou e não consigo mais conciliar minhas próprias ideias.

Imagino o que as pessoas, o que talvez este mundo ordinário gostaria que eu pensasse, mas ao mesmo tempo, quero que todos os estatutos ridículos se explodam.

Então, percebo que preciso intensamente de você. Sempre foi você que me disse ao longo do tempo, tudo o que tinha que fazer e fiz, e sim, me acostumei a isto.

Estou vazia, desprovida de minhas próprias ideias, de meus próprios desejos. Tudo é confuso e embaralhado neste emaranhado de sensações. Me transformei senão em um objeto, seu objeto de estima que você fez questão de manter longe de tudo e hoje tornei-me o ser inanimado que você sempre desejou.

Hoje, o ser inanimado teve seu lampejo de ousadia. Hoje o ser inanimado está pronto para dizer adeus.

A noite se esvai. Lá fora os neons ainda brilham, os carros ainda passam apressados, pessoas ainda trocam confidências de fim de noite depois das bebedeiras e o mundo continua caminhando para o nada.

Hoje também me sinto o nada, talvez um pequenino inseto lutando pela sobrevivência, mas, um inseto que permanecerá lutando, porque as batalhas são muitas e hoje eu venci a minha.

Solange Biolcatti (meados dos anos 90).

MARCO ANTONIO

Anuncia-se uma nova e estonteante manhã.

O calor do sol chega trazendo uma barulhenta sinfonia de pássaros.

O murmurar do vento por entre as copas das árvores, refresca um pouco o tempo que desde o alvorecer já se anunciava como um dia típico de verão.

Este cenário alegre despertou aquela alma pequenina naquela manhã e em seu coração cheio de ternura e sabedoria assistia a tudo como a uma fenomenal descoberta.

A beleza contida em cada coisa que o cercava era tão nítida, que a todos encantava.

Ele podia  entender que a essência da vida era muito mais que caprichos infantis . Talvez no fundo pressentisse que não teria tantos anos de vida, porém, sentia-se profundamente ligado ao processo iluminado que traduz o ato de viver.

Sentia-se conectado ao amor. Amor que sentiu muito antes do ato da concepção, amor que sempre existiu no tempo da eternidade, todas as coisas tinham um outro sentido para ele.

Por certo não poderia entender certos acontecimentos do mundo adulto que ainda demonstravam tanta infantilidade, tanta arrogância, tanta prepotência, talvez este mundo não se encaixasse naquilo que realmente fazia sentido para ele.

Nesta manhã em especial, sentia-se uno com o mesmo universo que aqui o colocara, via a natureza com muito mais cores, o sol no esplendor de seu brilho. Um profundo sentimento de amor universal invadiu aquele pequenino ser e sentiu-se livre e uno.

Voou. Não apenas o voo da imaginação, este que nos faz acreditar ser possível tantos devaneios, mas o voo rumo ao absoluto.

Ali, naquela cálida manhã, resplandescente de verão, fez seu único voo em direção ao infinito, e, se estivermos sensíveis,  será possível sentirmos esta brisa leve que passa por nós e se projeta rumo ao céu espetacular onde tudo o que podemos ver agora são as incontáveis estrelas.

Com amor!

Sua irmã.

Solange Biolcatti